Denúncia. Não era tensão alta, era um tumor na cabeça

Luzia Costa, de 60 anos, torna o seu caso público após perceber que esteve nas urgências do Hospital Padre Américo, em Penafiel, na mesma altura que a jovem a quem não foi detetado um tumor na cabeça

O caso é hoje revelado pelo Jornal de Notícias. Luzia Costa "recorreu à urgência da unidade de Penafiel do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (Hospital Padre Américo) três vezes e foi-lhe sempre diagnosticada tensão arterial alta". Só quando foi "internada de emergência" no Hospital Santo António, no Porto, é que lhe foi detetado "um tumor na cabeça".

"Não quero que o que aconteceu à Sara suceda a outras pessoas", diz em declarações ao Jornal de Notícias a antiga solicitadora de 60 anos.

A primeira ida à unidade de Penafiel do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa foi em 2010. "Diagnosticaram-me tensão arterial alta, deram-me medicação e mandaram-me embora". Voltou em junho de 2011, mas o médico "voltou a dizer-me que tinha apenas tensão arterial alta". Em agosto desse ano, na sequência de um ataque de espasmos voltou ao hospital. O diagnóstico foi igual.

Em fevereiro de 2012, sofreu três ataques e desta vez optou por ir ao Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos. Os sintomas levaram os médicos a realizar uma TAC. Perante o resultado foi de imediato transferida para o serviço de neurologia do Hospital de Santo António, no Porto - os exames seguintes confirmaram "um tumor na cabeça". Foi operada em março.

"Se eu continuasse em Penafiel, hoje estaria como a Sara. Se os médicos diziam que sofria de tensão arterial, eu acreditava", confessa ao Jornal de Noticias.

Ao Jornal de Notícias, a administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa diz que os sintomas não justificavam os exames.

O caso de Sara

Estão abertos quatro processos de averiguações para apurar o que se passou no caso de uma jovem de 19 anos que morreu vítima de um cancro no cérebro que não foi diagnosticado, apesar de durante três anos ter ido 11 vezes à urgência do hospital de Penafiel, que pertence ao Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa. O caso remonta a 2013 e a família já avançou com um processo contra o hospital por alegada negligência. Recorreu também ao tribunal administrativo para reclamar uma indemnização à unidade hospitalar.

As primeiras queixas de dores de cabeça surgiram em 2010, contou a família ao Jornal de Notícias, que adianta que no hospital o diagnóstico foi sempre o mesmo: ansiedade. A família afirma que não foram feitos exames que poderiam ter detetado o cancro no cérebro, que tinha 1,6 quilos. Sara Daniela Moreira morreu em casa em janeiro de 2013, dois dias depois de ter ido às urgências do mesmo hospital.

A Procuradoria-Geral da República confirmou ao DN "a existência de um inquérito, o qual se encontra pendente a aguardar o parecer do Instituto Nacional de Medicina Legal. Tal parecer foi solicitado em dezembro de 2014". Ontem, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, afirmou que pediu à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde que iniciasse um processo de esclarecimento sobre o que se passou. Em declarações à Antena 1, o bastonário dos Médicos, José Manuel Silva, lamentou a situação e adiantou que a Ordem irá abrir "imediatamente um processo disciplinar", se este ainda não tiver sido aberto.

O caso também vai ser investigado pelo Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa e pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte. Num comunicado conjunto, as duas entidades afirmam que a situação ocorrida entre 2010 e 2013 "nunca foi reportada" à administração do hospital. "O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, ao tomar conhecimento, pela comunicação social, da situação referida, respeitando naturalmente o segredo de justiça, de imediato mandou proceder à competente investigação, do mesmo modo que esta ARS vai mandar instaurar um processo de inquérito", referem.

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