Defesa invoca queda mas arguidos confirmam agressões a Giovani

Advogado promete relatório de perito da ONU. Mas dois acusados assumiram ontem que vítima mortal e amigos foram agredidos com cintos e um pau.

Começaram a ser julgados esta quarta-feira (10 de fevereiro) os sete arguidos acusados do homicídio do jovem Luís Giovani Rodrigues, estudante cabo-verdiano de 21 anos que morreu no hospital, na sequência de uma contenda, na madrugada de 21 de dezembro de 2019, em Bragança.

A defesa mostrou que a sua estratégia passa por suscitar dúvidas, ao coletivo de juízes presidido por Filipe Delgado, sobre a causa da morte apontada pela acusação, fazendo prova de que o traumatismo que ditou o óbito não se deveu a agressões, mas à queda que, como relataram algumas pessoas no inquérito, a vítima deu numas escadas.

Em defesa desta tese, foi citado o relatório da autópsia na parte em que refere que a morte do aluno do Politécnico de Bragança se deveu a traumatismo craniano que resultou de um choque violento com algo contundente. Os advogados sustentaram que o relatório é inconclusivo sobre a causa do traumatismo, não revelando se foram as agressões ou a alegada queda.

Ricardo Vara Cavaleiro, advogado de um dos arguidos, que ontem prestaram declarações em Tribunal, prometeu apresentar um parecer médico-legal de Duarte Nuno Vieira, perito da ONU e ex-presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal, que "aponta precisamente no sentido de que a causa mais provável da morte ficar-se-á a dever à queda nas escadas e não a qualquer outra circunstância".

Vítima agredida com pau

Os arguidos, de Bragança, estão acusados da coautoria de homicídio, com dolo eventual, e de três crimes de ofensas à integridade física cujas vítimas foram os três cabo-verdianos que acompanhavam Luís Giovani.

Na primeira sessão, foram ouvidos dois acusados durante várias horas. Ambos admitiram ter estado envolvidos na escaramuça, naquela madrugada, à saída de um bar, e que os quatro jovens cabo-verdianos foram agredidos com cintos e com um pau. Mas nenhum daqueles dois assumiu ter agredido a vítima mortal.

Bruno Fará indicou que tinha ido a casa buscar o pau, que usou para bater nas costas de Valdo, amigo de Giovani. Também disse que o pau se partiu em duas partes, depois apanhadas por outros arguidos.

Já o arguido Jorge Liberato alegou que não agrediu ninguém, embora tivesse consigo uma soqueira, que terá acabado nas mãos de outra pessoa. Também disse ter visto os demais arguidos usarem cintos para baterem nos africanos, nomeadamente em Giovani, que viu ser agredido, ainda, com o pau. Não se lembra se na cabeça ou no ombro, disse.

Paulo Abreu, advogado dos pais de Giovani, assistentes no processo, considera que em vários momentos o processo confirma que a causa da morte se deve às agressões. "Na nossa interpretação, a autópsia não é inconclusiva", frisou. A família pede uma indemnização, cujo valor Paulo Abreu não quis revelar, mas chegará a 300 mil euros.

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