CROA do Porto já deu casa a mais de 500 cães e gatos. Mas é preciso mais

Centro de Recolha Oficial de Animais abriu o ano passado em plena pandemia, dotado de várias valências, até um estúdio fotográfico. Viu as adoções dispararem como nunca, mas agora os números voltaram a baixar. Desistências e algumas devoluções deixaram os canis cheios.

Um espaço de banhos e tosquias, 94 boxes de animais com espaço exterior, zona de recreio para passeios de trela, centro cirúrgico e área de recobro, maternidade, zona de quarentena para os animais novos que vão chegando, equipa de veterinários e enfermeiros 24 horas, tratadores que ajudam na socialização e um estúdio fotográfico. São estas algumas das muitas valências que compõem o CROA, um espaço com dois mil metros quadrados, em Campanhã, junto ao Viveiro Municipal do Porto.

O centro foi construído de raiz, num investimento de dois milhões de euros, e abriu em abril do ano passado, substituindo o antigo canil, no Carvalhido. "Tínhamos um canil com 80 anos e com problemas próprios da idade. Era algo que nos envergonhava e quisemos construir um espaço inovador e de última geração para acolher todo o tipo de animais", explica ao DN Filipe Araújo, vereador do Pelouro da Inovação e Ambiente na Câmara Municipal do Porto (CMP).

Para além dos cães e gatos de todas as idades, o CROA tem capacidade para dar abrigo a animais de grande porte e já até já recebeu cobras. Contudo, o centro está "praticamente cheio". "A legislação que impede, e bem, a eutanásia leva a que os animais estejam muito tempo connosco, à espera de adoção, impedindo a chegada de novos moradores. O objetivo principal do CROA é a adoção", conta Filipe Araújo. O responsável apela, assim, à adoção de animais. Um processo que não tem registado o "boom" aquando da inauguração do centro.

"Legislação deve privilegiar a adoção e não a compra"

Em 2020, 137 cães encontraram uma família para os acolher. Este ano, o número chega a uma centena. Nuno Pereira, chefe de unidade do Gabinete de Saúde Pública e bem-estar Animal, recorda a grande procura inicial. "Abrimos em pleno confinamento e houve uma procura muito grande nessa altura. Começou a ser menos significativa quando perdemos o fator novidade. Depois disso, começamos a registar desistências e houve pessoas que devolveram animais que tinham adotado", refere. Assim como Filipe Araújo, o responsável pede que se dê prioridade à adoção, em detrimento da compra de animais. "Os canis estão cheios, assim como as associações. Acima de tudo, a legislação deve privilegiar a adoção e não a compra. Estes centros são centros temporários e precisamos de rotatividade", sublinha o vereador de Inovação e Ambiente da CMP.

As regras para adoção têm particularidades que procuram evitar devoluções ou adoções sem condições para manter os amigos de quatro patas. "O processo é acompanhado por um veterinário que explica as necessidades de cada animal, os cuidados e despesas inerentes ao mesmo e há todo um acompanhamento para que seja uma decisão consistente e ponderada", explica Nuno Pereira.

Os animais são fotografados no estúdio fotográfico do CROA quando estão prontos para encontrar um novo dono. As fotografias dos gatos e cães são colocadas nas páginas oficiais do CROA e podem ser consultadas antes da visita ao centro. Os visitantes e candidatos à adoção têm acesso a toda a informação, esquematizada por cores nas jaulas e boxes, que indicam o sexo, se o animal está esterilizado, se já está socializado e até se é mais ou menos arisco (no caso dos gatos).

"Educar" os animais para adoção

Todos os animais passam por um processo de socialização que, apesar de ser da responsabilidade dos tratadores, se estende a toda a equipa. Os funcionários levam, muitas vezes, os animais para os espaços de trabalho de escritório para potenciar o processo. Os cães são passeados na área de recreio pelo menos 20 minutos por dia, pelo que não estranham o uso da trela. Ana Túlio, veterinária, explica que os cães são passeados em grupo para haver uma habituação e o contacto com outros animais. Quando o processo de socialização termina e são colocados para adoção, já cumprem regras básicas e estão aptos para viver num novo lar. Iniciativas pensadas numa política de bem-estar animal, mas também para potenciar adoções "responsáveis". Desde a abertura do CROA, 266 gatos e 237 cães encontraram um novo lar. A ideia, conta Filipe Araújo, não é fazer crescer o espaço físico para acolher mais animais, mas sim "aumentar o número de adoções".

O centro recebe animais abandonados, mas também os que são encaminhados devido a processos judiciais. O CROA abriga ainda cães de equipas cinotécnicas para pernoitarem. Presta também apoio às colónias de gatos da cidade do Porto. São 83, que contabilizam 860 gatos. "As colónias da cidade estão identificadas. Trabalhamos em parceria com associações, que capturam os gatos para os tratar e esterilizar e os devolvem posteriormente às suas colónias. Todos os dias, as associações colocam alimentos e água aos animais", explica Filipe Araújo.

As visitas ao CROA são feitas por marcação, de segunda a sexta, das 13.30 às 15.30. À chegada, os candidatos à adoção podem ser recebidos pela Luna, uma gata de 10 anos, que veio do antigo canil e que já faz parte da equipa do CROA.

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