Crianças e jovens em situações de perigo aumentaram em 2021

O relatório anual da CPCJ revelou 40 075 situações de perigo em Portugal. Violência doméstica representa a maioria dos casos, sobretudo em jovens entre os 11 anos e os 14 anos.

Mais de 43 mil casos de perigo, a maioria por violência doméstica e negligência, foram comunicadas às Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) em 2021, mais 8,6% do que em 2020.

O relatório anual de avaliação da atividade das CPCJ relativo a 2021, divulgado esta quarta-feira pela Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDP), precisa que no ano passado "se registou um aumento do número de comunicações de crianças e jovens em perigo relativamente a 2020", totalizando 43 075, mais 3416 do que no ano transato.

Segundo o documento, a violência doméstica (13.782), logo seguida da negligência (12.946), constituíram as categorias de perigo mais registadas nas comunicações recebidas pelas CPCJ, mantendo a tendência do ano anterior.

Os comportamentos de perigo na infância e na juventude (7091), direito à educação (6445), maus-tratos físicos (1026) e psicológicos (1371), bem como abusos sexuais (919), constituem outras categorias de perigo comunicadas às CPCJ no ano passado.

O relatório indica também que as principais entidades comunicantes são, à semelhança dos anos anteriores, as forças de segurança e os estabelecimentos de ensino.

A maioria das 43 075 comunicações chegaram às CPCJ por escrito, refere o mesmo documento, dando igualmente conta de que a Linha Crianças em Perigo recebeu 1474 chamadas, 109 das quais consubstanciaram comunicações, e 383 denúncias através do formulário online disponível na página da CNPDP.

De acordo com o relatório, à semelhança de anos anteriores, mantém-se uma prevalência de comunicações relativas a crianças e jovens do sexo masculino (53% do total) face às crianças e jovens do sexo feminino (47%).

As crianças e jovens dos 11 aos 14 anos (26%) são as que representaram a maior expressividade das comunicações, seguindo-se dos 0 aos 5 anos (24%) e dos 15 aos 17 anos (23%).

A CNPDP destaca as crianças com 2 anos ou menos, faixa etária que registou 5305 comunicações em 2021, um acréscimo de 3,6% (359) relativamente ao ano anterior.

O relatório especifica que, das 43 075 comunicações recebidas, 2057 situações originaram mais do que uma reabertura de processos em 2021, totalizando, portanto, 45 132.

A avaliação anual salienta igualmente que as CPCJ movimentaram 73 241 processos de promoção e proteção no ano passado, 31.143 dos quais transitaram de anos anteriores e 42 098 processos foram iniciados em 2021.

"Dos processos iniciados no ano, 33.937 correspondem a crianças que beneficiaram de intervenção das CPCJ pela primeira vez e 8161 correspondem a crianças que tiveram o seu processo anterior reaberto no ano", frisa.

Durante o ano de 2021, acrescenta o relatório, "em resultado de mudanças de residência das crianças e jovens ocorreu a transferência de 1609 processos de uma CPCJ para outra, o que, contabilisticamente, significa contar o mesmo processo mais do que uma vez" e, "por conseguinte, na análise processual de 2021, retirando as transferências entre CPCJ, resulta o acompanhamento de 71 632 processos, que correspondem a 69 727 crianças e jovens".

Segundo o mesmo documento, do total de 71.632 foram arquivados 5070 "por não-verificação dos pressupostos legais exigidos" e essencialmente devido à "falta de legitimidade das CPCJ para intervenção" e por terem sido remetido a tribunal situações por existência de um processo judicial a favor da criança.

A Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (LPCJP) diz que, sempre que os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de facto ponham em perigo a segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento, ou quando esse perigo resulte de ação ou omissão de terceiros ou da própria criança ou do jovem tem lugar a intervenção para a promoção dos direitos e proteção das crianças e jovens.

Caso sejam confirmadas as situações de perigo comunicadas a intervenção das CPCJ só pode iniciar-se com o consentimento expresso dos pais, do representante legal ou da pessoa que tenha a guarda de facto, e a não oposição da criança com idade igual ou superior a 12 anos.

A legitimidade de intervenção da CPCJ pode cessar a todo o momento, caso os pais ou responsáveis legais ou quem tenha a guarda de facto retirem o consentimento à intervenção, ou a criança/ jovem expresse a sua oposição. Nestes casos, o processo de promoção e proteção será remetido para o Ministério.

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