Covid-19. Um milhão de casos depois ainda há dúvidas?

Sábado, 14 de agosto

Um milhão depois ainda há dúvidas?

532 dias após os primeiros casos de covid-19, Portugal atingiu um milhão de infetados. Neste período perderam a vida mais de 17 500 pessoas com a doença. Com a chegada da variante Delta, na quarta vaga, só a vacinação evitou números bem piores. A esmagadora maioria da população confiou na ciência, como prova o elevado grau de adesão à inoculação. Mas, ainda assim, Gouveia e Melo, coordenador deste plano sem precedentes em Portugal, foi insultado por negacionistas, em Odivelas. Felizmente, a irresponsabilidade não é contagiosa e os que ainda duvidam da ciência perante tudo o que se passou nos últimos 530 dias serão sempre poucos e sem argumentos racionais para semearem dúvida séria em quem escolhe ser vacinado. 150 mil jovens de 16 e 17 anos deram um bom exemplo disso mesmo neste fim de semana.

Domingo, 15 de agosto

O passeio talibã e os preços a pagar

Mais do que uma ofensiva militar, o que se viu foi um passeio talibã até Cabul. Todo o dinheiro e tempo investido no treino e equipamento militar do Afeganistão (que agora passa para as mãos dos talibãs) esfumou-se em dez dias e de nada serviu para travar o regresso ao poder dos fundamentalistas islâmicos, já que as forças do regime apoiado pelos EUA, simplesmente, abdicaram de combater. Biden também sai mal na fotografia. No mínimo, houve um erro na avaliação feita pela sua administração sobre a capacidade (ou vontade) dos militares afegãos em combater, que tornou ineficaz qualquer planeamento para uma retirada sem sobressaltos. O preço a pagar será político, bem mais alto se o Afeganistão voltar a ser um santuário para o terrorismo. No entanto, quem sofrerá mais serão, sobretudo, as mulheres e minorias do país, de novo ameaçadas pelo obscurantismo e fanatismo religioso talibã.

Segunda-feira, 16 de agosto

A ameaça do fim das moratórias

Os portugueses estão a endividar-se mais (16,6 milhões por dia em crédito ao consumo no primeiro semestre deste ano), mas o cenário tenderá s agravar-se na segunda metade do ano, principalmente quando no final de setembro terminarem as moratórias no crédito à habitação. O alerta foi feito pela Deco no DN/DV. A associação de defesa do consumidor lembrou que, hoje, "muitas famílias já estão a recorrer ao crédito fácil - cartões de crédito e linhas a descoberto - para pagar as suas despesas da casa", pois "não recuperaram o rendimento que tinham antes da crise" provocada pela pandemia de covid-19. No final de junho, o valor de créditos de particulares com moratória ascendia a 14,4 mil milhões de euros, segundo dados do Banco de Portugal.

Terça-feira, 17 de agosto

Proibir não chega. Há que investir

Nem sandes de chouriço, nem pizas ou batatas fritas. Tão-pouco sumos com açúcar adicionado ou pastéis de bacalhau. Nem sequer um queque. São mais de 50 os artigos a proibir nos bares das escolas públicas (uma lista, porventura, demasiado extensa para não cair em exageros...) e já a partir do final de setembro (desde que a revisão de contratos com os fornecedores não implique pagar indemnizações...). A medida, já prevista no Orçamento do Estado para 2020, visa promover a alimentação saudável dos mais novos, pelo menos em contexto escolar. No entanto, isolada, corre o risco de ser ineficaz. Mais do que proibir, é preciso ajudar os jovens a mudar os hábitos alimentares, como frisou a Ordem dos Nutricionistas, recordando outra promessa feita no mesmo OE: a contratação de 15 profissionais para o Ministério da Educação, para a qual ainda nem sequer foi aberto concurso...

Quarta-feira, 18 de agosto

Novo diretor e uma herança pesada

Aos 46 anos, Pedro Penim foi o escolhido pelo governo para ser o novo diretor artístico do Teatro Nacional Dona Maria II (TNDM). Em declarações ao DN, considerou que a nomeação chega na melhor altura possível. "Sinto a responsabilidade, como não podia deixar de ser, mas não tenho medo. Na verdade, sinto-me perfeitamente capacitado para as funções", disse à jornalista Maria João Martins. Uma das garantias que deixou foi a de ouvir muita gente, dentro e fora do teatro, para abraçar depois o desafio de substituir Tiago Rodrigues, Prémio Pessoa em 2019, desde 2014 à frente do TNDM e agora de saída para a direção do prestigiado Festival de Teatro d'Avignon, em França. "Não será um passeio no parque mas sei que vou encontrar uma casa bem arrumada", elogiou Pedro Penim.

Quinta-feira, 19 de agosto

Fogos são uma praga. E ainda vai ficar pior

Apagado o incêndio que consumiu perto de 7 mil hectares de floresta em Castro Marim, as forças de Proteção Civil logo tiveram de se debater com um novo grande fogo, desta vez em Odemira, que seria dominado nesta quinta-feira. Apesar de todas as preocupações, estratégias e promessas que resultaram do rescaldo dos trágicos incêndios de 2017, os fogos florestais continuam a ser uma praga anual, mesmo que, pelo menos até este ponto do verão, o país não tenha assistido a dias tão dramáticos como aqueles que se viveram, por exemplo, na Grécia, na Itália, na Turquia ou na França. Na verdade, neste verão já arderam mais de 430 mil hectares na União Europeia, mais do dobro da média registada no período 2008-2020, segundo revelou a Comissão Europeia à agência Lusa, alertando ainda para o que nos espera nos próximos anos: "Os fogos florestais na Europa estão a piorar constantemente."

Sexta-feira, 20 de agosto

Antecipar medidas em "situação de conforto"

Um dia depois de ser revelado que 70% da população portuguesa já tinha completado o processo de vacinação contra a covid-19, antecipando as estimativas que apontavam só para 5 de setembro, foi a vez de se antecipar também as medidas previstas no processo de desconfinamento. O país entra agora em estado de contingência (um patamar abaixo do estado de calamidade até agora em vigor) e, já a partir de segunda-feira, passa, por exemplo, a ser possível acabar com os limites de lotação nos transportes públicos, entre outros aspetos. A ministra Mariana Vieira da Silva garantiu que as medidas são tomadas "numa situação de conforto" para o SNS, que está por esta altura "muito longe da linha vermelha a nível nacional", no que diz respeito à taxa de ocupação. Boas notícias.

pedro.sequeira@dn.pt

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