Comissário Europeu da Saúde defende vacina obrigatória

"As vacinas funcionam. É um facto, não uma opinião", realça Vytenis Andriukaitis.

Vytenis Andriukaitis, Comissário Europeu da Saúde, defende que certas vacinas devem ser obrigatórias. Em entrevista ao Público, repete várias vezes que na sua opinião pessoal, certas vacinas, entre elas a do sarampo, deveriam ser obrigatórias.

O comissário europeu da saúde recorda que esse tipo de decisão é da responsabilidade de cada Estado-membro da União Europeia, mas salienta o facto de uma doença completamente prevenível se esteja a espalhar.

"As vacinas já salvaram mais vidas de crianças do que qualquer outra intervenção médica. Todas as vacinas que fazem parte de planos nacionais de imunização foram consideradas seguras e relevantes. São a melhor maneira para proteger os indivíduos e o grupo", disse ao jornal. "As vacinas funcionam. É um facto, não é uma opinião. É irresponsável dizer o contrário", reforça.

"A hesitação perante a vacinação é um problema de saúde pública importante e em crescimento. Os antivacinas estão a pôr toda a gente em risco", acrescenta.

Dezoito países europeus foram incluídos numa lista de regiões com transmissão endémica de sarampo, divulgou ontem a Direção-Geral de Saúde (DGS), com base em informações transmitidas pelo Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças.

Na informação anterior, divulgada no passado domingo, o registo era de 14 países com surto da doença, com a Roménia a liderar, ao indicar mais quatro mil doentes em seis meses, desde meados do ano passado.

Continuando a ter a Roménia como líder, a lista mais recente inclui ainda Alemanha, França, Itália, Áustria, Bélgica, Polónia, Roménia, Suíça, Rússia, Turquia, Ucrânia, Irlanda, Bósnia e Herzegovina, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Sérvia e Macedónia.

A Roménia continua a protagonizar o maior surto na Europa, com 4.793 casos confirmados e 21 mortes, sendo a faixa dos 0-14 anos a mais atingida (82,1%). Dos casos registados entre janeiro de 2016 e abril de 2017 reportavam a 96% pessoas não vacinadas.

Em Portugal, até quarta-feira, foram notificados "46 casos de sarampo, dos quais 21 confirmados e 15 em investigação", tendo a dez casos sido excluído o diagnóstico de sarampo, segundo a DGS.

Nos primeiros quatro meses do ano houve mais casos de sarampo em Portugal do que na última década anterior.

De acordo com os vários relatórios sobre doenças de declaração obrigatória, entre elas o sarampo, entre 2006 e 2014 Portugal registou 19 casos de sarampo - quase todos importados - quando desde janeiro deste ano até hoje já houve 23 casos notificados.

Na quarta-feira, morreu uma jovem de 17 anos que estava internada no Hospital da Estefânia com sarampo. Uma irmã foi entretanto internada na mesma unidade por precaução. Só hoje se saberá o resultado dos exames que revelarão se tem a mesma doença.

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