Comissária europeia e autarcas de acordo: "As cidades são a chave para a transição digital verde"

As cidades são o principal motor para que a transição digital e a economia verde sejam uma realidade atingível. Esta foi a principal ideia que emergiu do ciclo de conferências organizado pela European Metropolitan Authorities, na Alfândega do Porto.

Cooperação intercidades, entre Áreas Metropolitanas e entre os Governos centrais são a chave para uma transição verde e digital com sucesso. Sem elas, será impossível atingir as metas estabelecidas pelos países para evitar o desastre ambiental há muito anunciado, concordaram os autarcas e representantes de várias regiões europeias presentes na conferência sobre "Como impulsionar Áreas Metropolitanas com neutralidade climática", organizada pela European Metropolitan Authorities e que teve lugar no Centro de Congressos da Alfândega, no Porto, esta sexta-feira (12 de novembro).

Cooperação para Inovação

As cidades são fundamentais para que qualquer tentativa de mudança seja bem-sucedida. Foi deste modo que Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto iniciou a sua intervenção na sessão da abertura da conferência.

O autarca reforçou este papel das cidades, afirmando que só através da cooperação entre as cidades portuguesas e europeias, com principal foco nas Áreas Metropolitanas - pela sua capacidade de influência e de criar agenda - é que a mudança pode surgir.

Mudança essa que pode ser encarada como o "fim do mundo" ou como algo "positivo e vital para o mundo". Rui Moreira prefere a segunda visão, garantiu, reforçando que as cidades, sendo o motor de desenvolvimento das sociedades, através da proximidade com os seus habitantes, serão fundamentais para permitir que a transição digital e a transição verde sejam mais do que "questões políticas" centradas nos órgãos de decisão.

Da mesma opinião é Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia e Presidente da Área Metropolitana do Porto. "As Áreas Metropolitanas têm muitas disparidades entre elas, mas são estas disparidades que garantem, em simultâneo, o equilíbrio suficiente para a mudança, tendo por base a diversidade".

As Áreas Metropolitanas devem ser o principal interveniente na mudança que se exige aos decisores políticos, para passar "das palavras à ação", sendo um órgão com capacidade executiva, sublinhou. E devem ser capazes de "criar riqueza, de contribuir para a transição digital e para o desenvolver de uma economia verde numa altura em que o desemprego, a pobreza, e a enfraquecida mobilidade social" são questões que preocupam os autarcas.

A União Europeia conta com as Áreas Metropolitanas

75% da população europeia vive em cidades e são estas que produzem 70% dos gases com efeito de estufa da União. Os dados foram lançados por Elisa Ferreira, Comissária Europeia para a Coesão e Reformas, durante a sua intervenção como oradora principal no painel How to Boost Climate Neutral Metropolitan Areas: Green, Smart and Resilient.

A ideia transmitida pela Comissária Europeia foi de encontro ao que os autarcas portugueses referiram: "As Áreas Metropolitanas são tão vitais nos respetivos países que podem marcar a diferença e definir agendas ambientais".

Redes energéticas, transportes, comunicação, cuidados de saúde. Estas são áreas fundamentais para a União Europeia, que tem investido claramente nestes campos de atuação para tornar as cidades mais verdes e mais digitais. Ora "uma transformação verde só pode ocorrer com a participação fundamental das cidades", recetoras de investimento e executoras do mesmo.

É nas cidades que constituem as Áreas Metropolitanas que a mudança pode ocorrer e onde a sociedade civil pode sentir que faz a diferença. A ideia da União Europeia, nas palavras de Elisa Ferreira, é "retirar estas expressões dos gabinetes da União e trazê-las para junto das pessoas. Mostrar que as transições irão tornar as cidades mais bonitas, mais inclusivas, mais resilientes". São as cidades, e não os governos centrais, que têm a responsabilidade de chegar aos cidadãos e criar as suas próprias agendas.

Um Protocolo para o Futuro

Desta conferência, à semelhança do que sucedeu em edições anteriores, surge um protocolo público assinado por todos os participantes políticos - de regiões e áreas metropolitanas de toda a Europa - onde todos se comprometem a cumprir os desígnios aqui definidos.

Na edição deste ano, e como não poderia deixar de ser, a transição digital e a economia verde são os temas que marcam o protocolo assinado no Centro de Congressos da Alfândega do Porto.

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