"Com as obras o IPO fica decente para os próximos 15 anos"

Alargamento da Unidade de Transplantes de Medula (UTM) de sete para 12 quartos vai permitir aumentar a capacidade de resposta nos transplantes, garante o presidente do conselho de administração do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa. Francisco Ventura Ramos acredita que facilmente o serviço vai realizar 150 transplantes por ano.

Aos 30 anos, a UTM vai sofrer obras. Para aguentar mais 30 anos?

Não sei se dura 30 anos, provavelmente vai durar menos. As coisas agora mudam tão depressa que teremos de fazer atualizações antes dos 30 anos.

E já arrancaram as obras?

Estamos a arrancar com as obras neste mês. Por uma questão meramente operacional, queremos fazer coincidir as obras da UTM com as obras do serviço de sangue que vai ficar no andar contíguo. São duas grandes intervenções, estamos a tentar que aconteçam em simultâneo, por uma questão operacional que tem que ver também com as dificuldades, ou as contingências, de fazer obras num hospital que é suposto continuar a funcionar. A ideia é arrancar a sério no final do mês e depois a execução são seis meses. A expectativa é que em abril tenhamos a nova unidade de transplantes de medula pronta a funcionar, passando de uma capacidade de sete para 12 quartos. O que quer dizer que atualmente fazemos 90 a 100 transplantes por ano e passamos a ter condições para fazer 150 a 160 transplantes de medula por ano.

Esses são números que permitem responder às necessidades?

O que aconteceu nos últimos dois anos foi uma tecnologia que permitiu, no fundo, alargar ligeiramente os critérios de compatibilidade. O que quer dizer que aumentou a procura para os transplantes e é, no fundo, a esse aumento de procura que estamos a dar resposta. Face às condições anteriores, sete quartos para 80, 90, 100 transplantes por ano, era a procura e as necessidades que existiam. Neste momento, começamos a ter sinais de aumento de procura. O que quer dizer que 150 transplantes é um número que vamos realizar com facilidade. Nas atuais condições há casos em que, provavelmente, as pessoas podiam estar aqui e estamos a enviá-las para outras unidades e isso deixará de acontecer. Mas também parece que a tendência vai ser de algum crescimento de casos. Da mesma forma que a incidência do cancro tem vindo a aumentar, a incidência de situações que originam necessidade de fazer transplante tem aumentado e provavelmente vão continuar a aumentar. A expectativa é que com este aumento de capacidade, tanto quanto é possível prever, nos próximos dez anos estejamos confortáveis com a capacidade que temos.

Estas obras no IPO vão ser deixá-lo nas condições ideais?

Um novo edifício era o ideal, em vez de termos vários edifícios. Estamos a tentar melhorar os espaços de consulta, já interviemos no internamento e no hospital de dia da pediatria e temos em programa para intervir no hospital de dia de adultos. Agora a UTM e o serviço de sangue e espero que consigamos ter autorização do Ministério das Finanças para fazer uma obra no bloco operatório para que possamos aumentar a capacidade de cinco para nove salas. Depois estamos a preparar o novo edifício junto à Praça de Espanha, onde queremos concentrar o ambulatório. Depois desta intervenção o IPO fica decente para um horizonte de 15 a 20 anos, mas mais uma vez com a consciência de que não é o ideal.

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