Chegou este domingo a megalancha da GNR. Chama-se "Bojador" (Veja vídeo exclusivo)

A nova lancha adquirida pela GNR, a maior de sempre, terá como missão principal o controlo da fronteira externa marítima e aumentar a capacidade de deteção e vigilância desta força de segurança

Eram perto das 11 da manhã quando a "Bojador", a nova lancha da GNR com 35 metros de comprimento, atravessou a barra do Tejo, em cima de um cargueiro que a transportou desde os estaleiros holandeses, onde foi construída.

A megalancha, com capacidade de navegar em alto mar como as da Marinha, está neste momento no Terminal Multiusos do Beato, onde vai ficar durante um período de "testes e de formação à tripulação, razão pela qual só será entregue à Guarda no início do mês de abril", segundo revelou fonte oficial desta força de segurança, comandada pelo tenente-general Rui Clero.

"A sua integração na atividade operacional vem materializar uma necessidade da Guarda em adquirir uma lancha de maiores dimensões, com acrescida capacidade de navegação, constituindo-se como um complemento importante do Sistema Integrado de Vigilância, Comando e Controlo (SIVICC), e bem assim para os Centros de Coordenação Internacional do Sistema Europeu de Vigilância das Fronteiras (EUROSUR), sendo ainda objetivo a sua participação em missões da Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira (FRONTEX)", avança o comando-geral da GNR.

Esta força de segurança sublinha ainda que "este recurso permitirá ampliar a capacidade de vigilância e deteção da Guarda, potenciando mais e melhor controlo das atividades de vigilância da Fronteira Externa da União Europeia, nomeadamente na sua fronteira externa marítima".

Numa resposta enviada ao DN, a GNR sublinhou que "o recorte costeiro e áreas sensíveis (angras, enseadas, etc.) do território português determinam a extrema necessidade de reforço de observação em embarcações próprias para o patrulhamento marítimo".

"Esta lancha irá dotar a Guarda de capacidade própria que lhe permite assegurar maior permanência no mar territorial e suportar condições de mar mais adversas, bem como, quando necessário, navegar até às regiões autónomas"

De acordo com a mesma fonte oficial, esta lancha "irá dotar a Guarda de capacidade própria que lhe permite assegurar maior permanência no mar territorial e suportar condições de mar mais adversas, bem como, quando necessário, navegar até às regiões autónomas e assegurar a missão da Guarda também naqueles territórios, algo que as atuais embarcações à disposição da Guarda não permitem".

Marinha e Cravinho defendem duplo-uso

A "Bojador" custou 8 485 770 euros e é a primeira de um lote de quatro (as outras três de menor dimensão) que terão um custo de mais 2,2 milhões de euros, financiadas a 75% por fundos europeus.

A aquisição desta embarcação, maior que qualquer lancha rápida da Marinha não foi, porém, bem aceite no setor da Defesa e deixou a Marinha em estado de sítio.

A aquisição desta embarcação, maior que qualquer lancha rápida da Marinha não foi, porém, bem aceite no setor da Defesa e deixou a Marinha em estado de sítio. Conforme o DN noticiou, vários antigos chefes do Ramo protestaram, manifestando a sua indignação por aquilo a que chamam "duplicação de meios" e pelos "custos acrescidos", contrariados por outras figuras que defendem o reforço da GNR.

Entre outros, escreveram no DN, Ângelo Correia, Alexandre Reis Rodrigues, José Pires Neves, Aníbal Rosa, Agostinho Costa e Silva Paulo.

O ex-Chefe de Estado-Maior da Armada, Melo Gomes, salientou que se estava "a criar uma duplicação de capacidades que vai custar muito mais ao erário público", lamentando "a experiência dos 700 anos da Marinha" estivesse a ser "desprezada".

E quando a polémica estava ao rubro, foi o próprio ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, a sair em defesa da Marinha. Num artigo de opinião publicado no DN, Cravinho subscreveu o principal argumento que tinha sido usado por diversos oficiais generais do Ramo para contestar a aquisição da Guarda - o chamado conceito de "duplo uso".

O duplo uso permite às Forças Armadas apoiarem as polícias em operações de fiscalização e prevenção criminal em alto-mar

Este duplo uso permite às Forças Armadas apoiarem as polícias em operações de fiscalização e prevenção criminal em alto-mar e, no entender destas altas patentes militares, torna dispensável que a GNR também compre lanchas para esse fim.

Conforme o DN assinalou, a compra do lote das quatro lanchas, no qual se inclui a "Bojador", foi decidida em novembro de 2018, em Conselho de Ministros, quando João Gomes Cravinho já era o titular da pasta da Defesa.

Ministro Cabrita em silêncio

No referido artigo de opinião, Cravinho frisou que "o exercício da autoridade do Estado no mar exige que as capacidades do Estado sejam devidamente articuladas, entre si e entre instituições, algo que acontece com grande regularidade e naturalidade".

E deu como exemplo "a coordenação com a Polícia Judiciária", que classifica de "necessariamente discreta, mas intensa e profícua: desde 2018 a Marinha desenvolveu 18 ações no mar com a PJ, que resultaram na apreensão de mais de 16 toneladas de haxixe e de cocaína, com um valor de mercado de várias centenas de milhões de euros".

Na altura o DN pediu ao Ministro da Administração Interna uma reação a esta posição do colega do governo, mas Eduardo Cabrita remeteu para janeiro deste ano uma resposta.

"O ministro da Administração Interna pretende falar deste tema em janeiro, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia. Nessa altura, assinalará a entrada em funcionamento da nova Guarda Europeia de Fronteiras e Costeira", afiançou fonte oficial do Gabinete.

Questionado de novo este domingo, 28 de fevereiro, não deu qualquer resposta.

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