Chef francês abdica das três estrelas Michelin para ser "mais livre"

Restaurante do chef tem a classificação máxima no Guia Michelin desde 1999

O chef francês Sebastien Bras conseguiu o que poucos conseguem: que o seu restaurante recebesse a pontuação máxima no Guia Michelin, as três estrelas tão cobiçadas pelos cozinheiros. Agora, Bras abdica da distinção e pede que o restaurante Le Suquet, no sul da França, não apareça na lista Michelin de 2018.

Bras quer sentir-se "mais livre" e sob "menos pressão", explicou num vídeo. O Le Suquet foi fundado pelo pai do chef e recebeu a terceira estrela Michelin em 1999. Desde então, Bras tem lutado todos os dias para manter o título, algo que diz estar cansado de fazer.

"Hoje, com 46 anos, quero dar um novo sentido à minha vida. À minha vida profissional e em geral e redefinir o essencial", disse o chef num vídeo publicado no Facebook. Bras diz querer "abrir um novo capítulo" da vida profissional, "sem os benefícios do Guia Michelon, mas com toda a paixão pela cozinha".

O Le Suquet é um dos 27 restaurantes franceses com três estrelas Michelin.

O chef confessa que receber a terceira estrela lhe trouxe "muita satisfação", mas que temia as constantes avaliações sem aviso prévio.

"Somos avaliados duas ou três vezes por ano e nunca sabemos quando", contou o chef à AFP. "Cada refeição que sai pode ser avaliada. Isso significa que, todos os dias, uma das 500 refeições que saem da cozinha podem ser avaliadas", continuou.

"Talvez seja menos famoso mas aceito isso", disse o chef. Bras, que promete continuar a fazer pratos deliciosos, mas agora sem a pressão de "adivinhar se as criações vão ser apelativas para os inspetores Michelin".

O Guia Michelin revelou que é a primeira vez que um chef francês pede para sair da lista dos melhores restaurantes desta forma. Os outros apenas o fizeram quando mudaram drasticamente o modelo de negócio.

"Respeitamos esta decisão", disse Claire Dorland Clauzel, membro do comité executivo da marca. Contudo, a exclusão da lista não será imediata e terá de ser avaliada.

A BBC explica que o Guia Michelin é para os clientes e não para os restaurantes, logo a remoção do Le Suquet não pode ser automática.

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