Carris assegura reforço de carreiras nas próximas duas greves do Metro de Lisboa

A Carris, gerida pela Câmara de Lisboa, vai reforçar quatro das suas carreiras devido às duas greves do Metropolitano de terça e quinta, informa a empresa. Metro ainda não sabe se poderá contar com serviços mínimos. Greve surge num momento em que transportes públicos estão com baixa utilização face a números prépandemia.

"Devido à greve do Metro, vamos reforçar as carreiras seguintes: 726 no troço Pontinha Metro/Estefânia; 736 nos troços Senhor Roubado/Marquês de Pombal e Campo Grande/Cais do Sodré; 744 no troço Oriente/ Restauradores; e 746 no troço Sete Rios/Marquês de Pombal."

Esta é informação que a Carris deu este sábado em antecipação das greve do Metropolitano de Lisboa, agendada para terça e quinta da próxima semana. Segundo a empresa pública de transporte rodoviário da capital, os reforços de carreiras vão ser assegurados nos dois dias de greve.

Atendendo a que na terça-feira, 2 de novembro, a greve será parcial, o reforço, de acordo com a Carris, "incidirá apenas na hora de ponta da manhã, até cerca das 10H30, hora em que o Metro já estará a funcionar normalmente." Recorde-se que o Metropolitano de Lisboa anunciou contar que o serviço se inicie apenas pelas 10H15 da manhã de terça.

Já na quinta-feira, dia no qual a greve dos trabalhadores do Metro será de 24 horas, os reforços da Carris serão, assevera esta empresa, "efetuados durante todo o dia, com maior intensidade nas horas de ponta, da manhã e da tarde, e com uma menor intensidade durante o dia e no serão".

Os sindicatos convocaram a greve parcial de terça no Metro de Lisboa para "a generalidade dos trabalhadores" no período entre as 05H00 e as 09H30 e para os administrativos e técnicos superiores entre as 09H30 e as 13H30. Já para quinta-feira, está agendada uma greve de 24 horas para a generalidade dos trabalhadores, pelo que se "prevê que o serviço de transporte encerre a partir das 23H00 de 3 de novembro [quarta-feira], e reabra às 06H30 de 5 de novembro [sexta-feira]".

Não se sabendo ainda se vão ser decretados serviços mínimos, o Metropolitano de Lisboa põe a hipótese de, em caso afirmativo, avaliar se terá condições operacionais para reabrir o serviço entre as 00H00 e as 01H00 de sexta-feira.

No comunicado divulgado este sábado, a empresa "prevê que o serviço de transporte seja afetado nos períodos determinados por estas greves", agradecendo "a compreensão dos seus clientes" e lamentando "os eventuais inconvenientes que esta paralisação possa causar".

Recorde-se que nas duas greves do Metro que se realizaram na semana que passou, igualmente na terça e na quinta e ambas parciais durante a hora de ponta da manhã, a Carris também reforçou a mobilidade nos eixos mais críticos da cidade.

As ações de luta dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa ocorrem em protesto contra o congelamento salarial, exigindo também o preenchimento imediato do quadro operacional e as progressões na carreira. Numa nota, a empresa disse encontrar-se "recetiva à discussão das propostas apresentadas pelas entidades sindicais, sendo as mesmas objeto de negociação".

O Metropolitano de Lisboa opera com quatro linhas: Amarela (Rato-Odivelas), Verde (Telheiras-Cais do Sodré), Azul (Reboleira-Santa Apolónia) e Vermelha (Aeroporto-São Sebastião). O serviço funciona das 06H30 às 01H00 todos os dias.

O número de passageiros deste meio de transporte ainda não alcançou os níveis pré-pandemia: em setembro, o número de pessoas transportadas foi de 8,4 milhões, menos 42,8% que no período homólogo de 2019; na Carris, no mesmo mês, os transportados com título válido foram 8,9 milhões - menos 27% quando comparados com os 12,2 milhões do período homólogo de 2019.

Em contrapartida, o trânsito em Lisboa (como no Porto) tem vindo a alcançar os níveis prépandémicos. Na capital terá mesmo ultrapassado esses níveis na semana de 20 de setembro a 3 de outubro e a tendência parece ser essa.

Na opinião de Fernando Nunes da Silva, professor do Instituto Superior Técnico e especialista em transportes e urbanismo ouvido pelo DN, estes valores são explicados pelo receio que as pessoas ainda têm de usar os transportes públicos, sendo que este especialista acredita que é muito provável que o fluxo de trânsito em Lisboa seja cada vez mais superior aos valores prépandemia.

"Enquanto a memória da pandemia e o receio de contágio persistir, é natural que as pessoas procurem evitar a utilização de modos de transporte em que o contacto e a utilização de espaços fechados e pouco arejados seja frequente. Durante a pandemia, mesmo quando o confinamento foi mais reduzido, um estudo europeu veio mostrar que os meios de transporte que mais cresceram em seis países do centro e norte da Europa foram o transporte individual e o andar a pé. Os transportes coletivos perderam mais de 50% e até o andar de bicicleta teve redução", comenta o professor do Técnico. "

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