Carlos Cruz avança com segundo pedido de liberdade condicional

Condenado a seis anos de cadeia, ex-apresentador já cumpriu mais de metade da pena. Primeiro pedido foi negado há um ano

Carlos Cruz, condenado a seis anos de cadeia no processo da Casa Pia, avançou com o segundo pedido de liberdade condicional. O antigo apresentado de televisão vai ser ouvido no dia 23 por um juiz de execução de penas, que decidirá o seu futuro. Há um ano, Cruz fez o mesmo pedido, mas tal foi-lhe negado por o apresentado não ter mostrado arrependimento e interiorizado a culpa. Recorde-se que Carlos Cruz sempre negou a autoria dos crimes de abuso sexual de crianças pelo quais foi condenado.

Preso na cadeia da Carregueira desde 2013, Carlos Cruz teve direito a uma saída precária, no passado mês de dezembro. O Conselho Técnico da prisão da Carregueira deu parecer favorável à primeira saída precária de Carlos Cruz e um juiz autorizou.

No dia 23 de dezembro, o antigo apresentador Carlos Cruz saiu da cadeia para passar o Natal em casa, em Cascais, regressando dois dias depois à sua cela, que partilha com mais quatro reclusos da Carregueira. "Estou inocente, é um facto. A esperança mexe com o remorso. Quem tiver remorsos talvez me dê esperança", limitou-se a dizer à saída da prisão.

Ontem, em declarações à SIC-Notícias, Carlos Cruz afirmou que, mais do que depositar esperança na decisão sobre a liberdade condicional, está mais ansioso por uma decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, para onde recorreu após trânsito em julgado da condenação. O seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, já admitiu que uma decisão favorável deste tribunal poderá implicar uma revisão da sentença.

Em fevereiro de 2015, o Tribunal de Execução de Penas recusou o pedido de liberdade condicional de Carlos Cruz, preso no âmbito do processo Casa Pia, considerando que não interiorizou a culpa nem mostrou arrependimento.

Na altura, o advogado Ricardo Sá Fernandes referiu que a juíza de execução de penas recusou o pedido do ex-apresentador de televisão "basicamente por entender que não tinha interiorizado a culpa" dos crimes que lhe foram imputados nem mostrado arrependimento e confessado os crimes. Carlos Cruz foi ouvidoa 22 de janeiro de 2015, na cadeia da Carregueira, por uma juíza do tribunal de penas para que esta avaliasse se o ex-apresentador de televisão, que já cumpriu metade da pena, podia sair em liberdade condicional. A magistrada acabou por concluir que Cruz ainda não reunía as condições para beneficiar de liberdade condicional.

Dez anos de processo Casa Pia

Foi em 2003 que Carlos Cruz foi formalmente constituído arguido no processo da Casa Pia, por suspeitas de abuso sexual de menores. No final daquele ano, o Ministério Público acusou o antigo apresentador por abusos sexuais numa moradia em Elvas e num apartamento na Avenida das Forças Armadas, em Lisbo. Durante a fase de instrução, Carlos Cruz não conseguiu abalar a acusação do Ministério Público.

O julgamento iniciou-se em finais de 2004, prolongando-se até 2010. Pelo tribunal passaram 920 testemunhas, 32 vítimas, 7 arguidos. O resultado final foi 6 condenados (além de Cruz, foram condenados Ferreira Diniz, Manuel Abrantes, Carlos Silvino, Hugo Marçal e Jorge Ritto) e uma absolvição, Gertrudes Nunes, a proprietária da casa de Elvas. Posteriormente, o Tribunal da Relação de Lisboa baixou algumas penas, como a de Carlos Cruz, ordenando a repetição do julgamento no que diz respeito aos crimes que teriam sido cometidos na Casa de Elvas. Foi então que Hugo Marçal foi absolvido, assim como os crimes em causa foram arquivados

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