Bomba assaltada cinco vezes. "Azar", diz a GNR. Dono perdeu a paciência

Desde setembro, empresário já teve 13 mil euros de prejuízo. Guarda admite dificuldades em descobrir os autores dos crimes

E ao quinto assalto na madrugada de segunda-feira José Domingues perdeu a paciência. O proprietário da área de serviço Prio, na Estrada Nacional 4, no Vimieiro (Arraiolos), já soma um prejuízo de 13 mil euros à "boleia" dos cinco assaltos de que foi vítima desde 4 de setembro de 2015 e não resiste a criticar a atuação das forças de segurança.

"Se pudesse já tinha apanhado os ladrões, porque não é difícil. Mas já tive aqui assaltos em que cheguei uma hora antes da GNR e venho de mais longe. Vivo em Vendas Novas, a cerca de 70 quilómetros, e a investigação está a 20, em Estremoz. Assim é complicado", lamenta o empresário.

As imagens captadas pelo sistema de videovigilância mostram como dois indivíduos encapuzados e de luvas roubam tabaco em escassos dois minutos, depois de terem entrado na cafetaria da área de serviço arrombando portas (a reparação custou 700 euros) ou janelas, sem se deixarem intimidar pelo toque do alarme. José Domingues sabe que os assaltantes chegam à área de serviço a pé, percorrendo o descampado nas traseiras, antes de saltarem a cerca que dá acesso à zona da cafetaria. "Isto é feito por quem conhece a zona", garante.

Um dos assaltos que mais inquietou José Domingues ocorreu em setembro, mês em que somou três roubos. Depois dos dois primeiros furtos definiu a estratégia com o Núcleo de Investigação Criminal (NIC) de Estremoz. Encheu o expositor de tabaco nessa noite, para atrair os indivíduos, e forneceu as palavras-passe do sistema de videovigilância para que os militares pudessem ver tudo o que se passava no interior do estabelecimento.

"Os guardas estiveram por aqui até às 04.00 num carro identificado da Brigada de Trânsito. É óbvio que isso não resultava, porque dissuadia os ladrões, mas eles estiveram sempre a ver os guardas. Dez minutos depois de a GNR se ter ido embora já estavam a assaltar o café e levaram todo o tabaco", conta o empresário, recordando que uma hora depois estava no local, enquanto os elementos do NIC "só chegaram ao fim de duas horas e os peritos na recolha das impressões digitais três horas depois".

O empresário admite que o clima de insegurança está instalado entre os funcionários da área de serviço de que é proprietário desde março de 2015. Só fecha da meia-noite às cinco da manhã, "mas as pessoas já têm medo de estar aqui de noite ou de irem despejar o lixo, porque receiam ser elas o alvo dos suspeitos", justifica, revelando que os dois últimos assaltos apenas causaram prejuízos materiais, e que nunca mais deixou tabaco no estabelecimento.

Na segunda-feira, os assaltantes terão recorrido a um macaco pneumático para alargar um gradeamento de ferro, antes de partirem uma janela, por onde apenas coube o indivíduo mais magro e ágil, como mostram as imagens da videovigilância. O segundo elemento terá ficado de vigia no exterior.

Contactado pelo DN, o Comando de Évora da GNR confirma que este caso tem merecido especial atenção, encontrando-se a ser investigado pelo NIC de Estremoz. Estão em curso várias diligências que poderão vir a obter resultados a "curto ou médio", diz fonte da Guarda, reconhecendo que a investigação se tem deparado com algumas dificuldades. "A norma é andarmos um passo à frente dos criminosos, mas aqui temos andado atrás, para azar do proprietário", admite a fonte, ressalvando que este tipo de crime até tem diminuído nesta zona do Alentejo nos últimos três anos.

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