Bebé "milagre" é caso inédito em Portugal e raro em todo o mundo

Menino nasceu esta terça-feira no Hospital de São José

O nascimento do bebé de uma mãe em morte cerebral desde a 17º semana de gravidez, esta terça-feira, no Hospital de São José em Lisboa é um "um facto inédito" na medicina portuguesa, disse hoje Ana Escoval, presidente do Centro Hospital de Lisboa Central (CHLC).

Segundo Ana Campo, obstetra que acompanhou o caso, a duração da gestação das grávidas em morte cerebral varia, de acordo com um estudo de revisão sistemática publicado em 2010, entre os dois e os 107 dias. O bebé da mulher de 37 anos neste estado clínico desde 20 de fevereiro completou, exatamente, esse período máximo (15 semanas.)

Este "fenómeno da vida", explica a presidente do CHLC, é resultado do amor, profissionalismo e competência tecnocientífica das equipas responsáveis por este processo.

O menino nasceu com 2,350 gramas e, até ao momento, não manifestou qualquer alteração que deixe os médicos apreensivos.

Um caso de sucesso único no país e raro, mas não inédito, no mundo.

Em 2014, em Itália, uma mulher de 36 anos deu à luz um bebé de 1,8 quilos às 32 semanas de gestação. A mãe estava, nessa ocasião, em morte cerebral há dois meses, depois de ter sofrido uma hemorragia cerebral, às 23 semanas de gravidez.

Em 2016, já se somam dois nascimentos nestas condições clínicas. Em abril, uma mulher cuja morte cerebral foi declarada às 15 semanas deu à luz às 37 semanas de gestação.

Em Portugal, a manutenção da gravidez foi conseguida através do suporte hormonal, nutricional e funcional da mãe.

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