Bárbara quebra silêncio "em nome do dever de mãe"

Apresentadora exige a jornalistas que protejam menores e acusa ex-marido de os instrumentalizar. Mentiras, diz Carrilho

"Saberão os senhores jornalistas, melhor do que ninguém, quem neste processo protege os filhos e quem não hesita em os expor publicamente, instrumentalizar e manipular sem rebates de consciência, com o intuito claro de me prejudicar. Saberão os senhores jornalistas, a responsabilidade que têm em proteger a integridade, privacidade e sofrimento dos menores envolvidos. Saberão? (...) Chamo-me Bárbara Guimarães e sou mãe. Exijo-vos respeito pelos meus filhos e também através de mim e deles, de todas as outras mulheres e menores a atravessar processos semelhantes."

Apesar do tom magoado, o comunicado que Bárbara Guimarães, mãe de Dinis, de 12 anos, e Carlota, de 5, ontem difundiu a meio da tarde, e no qual afirma nunca ter falado antes - "Nunca dei uma entrevista sobre este processo. Nunca falei fora do tribunal" -, não poupa dureza no que respeita aos media e ao ex-marido e pai das duas crianças, Manuel Maria Carrilho, em julgamento por alegada violência doméstica contra ela.

"Falo como mãe", diz Bárbara, que vê os filhos "em sofrimento"

A Carrilho acusa não só de "expor publicamente, instrumentalizar e manipular" os filhos como de não ter o cuidado de preservar perante eles a imagem da mãe e até, insinua, de "plantar notícias": "Resguardei, sempre, dentro da privacidade do meu lar e fora dele, perante os meus filhos, a imagem do pai, mesmo vendo a minha vilipendiada e humilhada na praça pública, alvo de notícias falsas e plantadas." E reforça: "O meu dever de mãe é e será sempre o dever de proteger os meus filhos. (...) Infelizmente, esta atitude de proteção, de não contaminação, de salvaguarda da saúde emocional e física daqueles que são o meu maior tesouro, é apenas uma preocupação minha. É uma luta solitária."

Aos media lembra os seus deveres no que respeita à proteção das crianças: "Como mãe, falo (...) para vos reforçar o pedido de dignidade no tratamento público de menores que estão num incomensurável sofrimento e que precisam de proteção. A minha terão sempre. A vossa terão se pararem por um momento para pensar no superior interesse dos meus filhos e (...) esquecerem as vendas dos jornais e revistas ou as audiências."

"Bárbara está cada vez mais perdida na sua teia de mentiras", diz Carrilho

Contactado pelo DN, Manuel Maria Carrilho começa por chamar a atenção para o facto de a ex-mulher, "que diz que não dá entrevistas, ainda hoje [ontem] ter dado uma entrevista à Flash". E comenta: "É muito fácil que se diga que se guarda silêncio quando se tem uma agência a acusar a outra pessoa de coisas. Estamos a fazer de anjinhos? Não há silêncio nenhum."

À questão sobre se a entrevista concedida pela ex-mulher à citada revista versa o processo e o conflito que os opõe, o ex-ministro da Cultura encolhe os ombros: "Não sei. Mas em relação à acusação que me é feita, o que tenho a dizer é o seguinte: li o que o meu filho escreveu e ouvi o que o meu filho disse e acredito no meu filho. A Bárbara está cada vez mais perdida na teia das suas mentiras e invenções."

Carrilho refere-se a um post (texto) que Dinis terá escrito no Facebook na quarta-feira e do qual, assegura, só soube pelo Correio da Manhã, que o terá contactado, como a Bárbara, para comentar. Como o CM (o qual ontem publicou uma pequena nota sobre o assunto, titulando: "Filho de Bárbara e Carrilho faz ataque no Facebook contra a mãe") soube do post de Dinis, feito numa conta criada na mesma altura e que foi apagado no mesmo dia, Carrilho diz não saber. Uma coisa é certa, porém: Dinis, nascido em janeiro de 2004, teve de dar uma idade falsa para criar a conta, pois o Facebook só permite fazê-lo a partir dos 13.

Ouvido, a pedido do pai, no âmbito do processo de regulação do poder paternal (tendo o seu depoimento, prestado à porta fechada, sido em parte reproduzido em vários meios, o que levou a Procuradoria Geral da República a enviar as publicações para o DIAP por considerar existir crime), Dinis está também arrolado como testemunha no processo no qual Carrilho é acusado de violência doméstica. Este último foi suspenso após a primeira audiência devido aos pedidos de recusa apresentados pelo Ministério Público e por Bárbara Guimarães em relação à juíza, Joana Ferrer Antunes. Fundamentados na alegada falta de imparcialidade da magistrada, consubstanciada na forma como se dirigiu à queixosa durante o respetivo depoimento (e que suscitou inclusive um comunicado muito crítico da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas), estes requerimentos foram seguidos de um pedido de escusa da própria juíza. Neste, apesar de refutar as acusações de parcialidade, Joana Ferrer termina escrevendo: "A Juiz signatária, não obstante todo o supra exposto, e atendendo à forma absolutamente deturpada como as suas palavras foram interpretadas, roga ao Tribunal da Relação de Lisboa que a escuse do julgamento do presente processo."

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