"Bando do rolex": máfia de Nápoles voltou a Lisboa para assaltos

Desde fevereiro que os três italianos vinham a Lisboa para fazer assaltos de mota, no meio do trânsito, para roubar relógios "Rolex" e de outras marcas de luxo a condutores. Foram detidos pela PSP. Um grupo semelhante atacou na capital durante um ano até ser apanhado pela polícia em 2013

Vinham por estadias curtas de três dias em Lisboa e ficavam hospedados no centro da cidade. Ao volante de scooters Aprilia de matrícula italiana, os três italianos, alegados membros da máfia napolitana, misturavam-se no trânsito e fixavam os alvos: condutores de carros topo de gama que exibiam no pulso relógios "Rolex" ou de outras marcas de luxo. Um deles dava um toque no retrovisor do carro escolhido equanto outro, à pendura numa outra mota, se aproximava para levar o relógio por esticão. Três vindas a Lisboa (fevereiro, março e junho) renderam ao trio mais de 100 mil euros (segundo o valor declarado dos relógios roubados), apurou o DN com fontes policiais. A PSP investigou-os desde o primeiro assalto e conseguiu detê-los na última sexta-feira num hotel nos Anjos, em Lisboa, soube o DN, fora de flagrante delito.

São conhecidos como o "bando do Rolex" em Portugal e em outros países onde atacam.

A Divisão de Investigação Criminal (DIC) da PSP de Lisboa comunicou hoje que os três italianos foram detidos dia 23, fora de flagrante delito, "para impedir que partissem para Itália, para onde já tinham passagem marcada no sábado, dia 24", explicou ao DN o intendente Resende da Silva, comandante da DIC. Em 2013, a PSP tinha detido também três italianos da máfia de Nápoles que operavam com motas trazidas de Itália e com o mesmo método: já tinham então roubado 300 mil euros em relógios de ouro a condutores lisboetas quando foram detidos pela PSP, em março de 2013. Vieram a ser condenados a 15, 14 e 13 anos de prisão em Portugal.

Os três agora detidos, com idades entre os 34 e os 46 anos, foram presentes ao juiz e ficaram submetidos a prisão preventiva. A polícia suspeita que eles fariam chegar as motas italianas a Portugal por transportadora ou furgão, e que serão financiados por uma organização mafiosa, das muitas que existem em Nápoles, ligadas à Máfia, que os patrocinará para andarem a cometer assaltos de mota por países como Portugal, Espanha, Alemanha e França, onde têm registos criminais anteriores. Um dos italianos agora apanhado em Lisboa já tinha cumprido pena na Alemanha.

O primeiro dos assaltos que terá sido feito pelos três aconteceu a 17 de fevereiro, quando um condutor de um Mercedes se preparava para entrar na garagem do seu prédio, na rua tenente Valadim, em Lisboa, pelas 16.00,e ao abrir a janela foi abordado por um motard que lhe puxou o seu relógio Jaeger Lecoultre, de valor declarado de 26 mil euros.

No segundo assalto, 9 de março, pelas 18.00, abordaram um Audi topo de gama na Avenida da Liberdade e com o "golpe do espelho" (um dá o toque no retrovisor, o outro leva o relógio), dois dos italianos numa Aprilia puxaram o relógio suíço Audemars Piguet ao condutor, peça num valor declarado de 40 mil euros.

A investigação da PSP, através de cooperação policial internacional soube, pela polícia italiana, que no dia 10 de março, logo a seguir ao assalto de Lisboa, esses dois italianos foram intercetados em Roma, na estação de comboios, na posse do relógio Audemars Piguet que teria sido roubado a um condutor em Lisboa e de outro relógio da marca Hublot.

Finalmente, a 22 de junho, em Lisboa, duas motas abordaram o condutor de um Rover de luxo, arrancando ao condutor um relógio Rolex no valor declarado de 40 mil euros. Desta vez, o assalto aconteceu na Alameda D.Afonso Henriques onde se encontrava uma brigada da investigação criminal da PSP que fixou a fisionomia dos assaltantes e comprovou que um deles era o que tinha sido intercetado em Roma e que também teria vindo a Lisboa para o roubo de fevereiro.

No dia 23 de junho, sexta-feira, a investigação apurou que os três suspeitos estavam num hotel nos Anjos, em Lisboa, e foi detê-los ao final da tarde. Na posse deles estavam as suas motas Aprilia de matrícula italiana, autocolantes de cor branca para tapar as matriculas no momento dos assaltos, mais 1600 euros em dinheiro, documentos de reservas no hotel e as passagens de avião (iam partir no dia 24). As vítimas terão reconhecido, nessa mesma noite, dois dos assaltantes. Sobre um deles há confirmação da estadia na data em que ocorreu o roubo de fevereiro.

Foram presentes ao juiz logo no sábado. A busca ao hotel, com mandado judicial e acompanhada pelos advogados, foi cumprida na segunda-feira, já com os três suspeitos presos, adiantou o intendente Resende da Silva. O relógio do último assalto, o Rolex, "estava escondido na pega de um saco desportivo". Falta agora resgatar para Portugal o relógio Audemars Piguet.

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