Associações de pais e professores aplaudem opção por "férias" escolares

Representantes dos docentes e dos alunos consideram que a ideia de fazer férias antecipadas foi bem escolhida. "Uma grande cartada", há quem elogie.

Os representantes das confederações e associações de pais e de professores aplaudem a decisão do governo de suspender as aulas durante 15 dias, apesar de alguns terem sido surpreendidos com a medida. "É uma grande cartada!", afirma Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamento e de Escolas Públicas (ANDAEP).
Este responsável foi um dos que foi surpreendido pela decisão do governo de decretar férias antecipadas, porque "pensávamos que não seria possível a suspensão", mesmo depois de terem defendido que os estabelecimentos de ensino deviam parar com as aulas presenciais.

Filinto Lima elogia a opção porque entende que há a perspetiva que daqui a 15 dias haja um regresso parcial ou total às aulas presenciais. "Esta opção tem a ver com o evitar ao máximo o ensino de emergência, que não é equitativo e tem grandes constrangimentos".
Rejeita a ideia de que a paragem forçada das aulas, por causa dos números da pandemia, se deva à falta de resposta do governo na distribuição de computadores e acesso à internet como o primeiro-ministro tinha prometido. O que os outros representantes das estruturas de pais e professores também afastam.

"As pessoas estão preocupadas com os computadores, mas o mais grave é que o ensino à distância faz emergir muitas desigualdades porque depende das condições que cada aluno tem em casa". E exemplifica: "Há alunos que têm o seu quartinho, a sua secretariazinha e há alunos que, embora tenham computador, não tem espaço em casa e vivem na barafunda".

A Confederação Nacional Independente dos Pais e Encarregados de Educação (CNIPE) teve "meia surpresa" com os 15 dias de paragem nas aulas. O presidente desta estrutura, Rui Martins, frisa que as escolas "deviam estar preparadas para o ensino à distância", mas admite que o importante é estarmos em casa. "As aulas vão ser compensadas e tudo será mitigado em relação aos prejuízos que causa aos alunos", diz e manifesta-se "satisfeito" por ter existido articulação entre o governo e as autarquias para que "os alunos que precisem continuem a ter uma refeição quente e os que precisam de apoio o continuem a ter".
Afirma que se daqui a 15 dias a situação pandémica não estiver melhor, as escolas devem assegurar que o ensino à distância chega a todos os alunos. Quanto à promessa não cumprida de António Costa de distribuir computadores pela comunidade escolar, lembra que "isso obedece a contratos públicos, que não são feitos de um dia para o outro".
A Confederação Nacional da Associação de Pais (Confap) já tinha avançado com a proposta da suspensão das aulas ao governo, "assim que percebemos que era inevitável o fecho das escolas", diz ao DN Jorge Ascenção, presidente da estrutura.

"A suspensão das aulas minimiza o impacto da falta de aulas presenciais, ganhando algum tempo de férias e dando às famílias, mesmo em teletrabalho, a capacidade de organizar melhor o seu tempo", afirma. Jorge Ascenção também sublinha que o ensino à distância é desigual e não funciona. "Temos de nos preocupar que a escola cumpra a sua missão para com os mais vulneráveis, com igualdade, justiça e equidade. Procuramos agora ganhar algum tempo, se for necessário, para as escolas se prepararem para o ensino à distância".
Paula Carqueja, presidente da Associação Nacional de Professores (ANP) também saúda a decisão do governo, até porque lembra "foram feitas críticas muito grandes aos professores sobre a maneira como as aulas tinham sido dadas à distância". Esta responsável elogia também o facto de não terem sido esquecidos nesta pausa escolar os alunos com ação social e necessidades educativas especiais e os que têm pais que não podem estar em teletrabalho.

Todos estes responsáveis admitem que "a pressão" para fechar as escolas era muito entre a comunidade educativa e os pais. Filito Lima diz que comparativamente com o 1.º período, notou-se um agravamento de casos de infeção nas escolas logo na primeira e segunda semana de janeiro. "O medo que se instalou no final da semana passada era muito grande, com os números a crescer, entre os professores, os pais e auxiliares", afirma. Garante que durante a semana houve já pais que não levaram os filhos à escola.

"Foi pelos números de infetados e óbitos e pelo facto dos peritos médicos e de saúde pública convergirem no encerramento das escolas que se caminhou para esta suspensão desde o pré-escolar até ao ensino universitário", reforça o presidente da presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamento e de Escolas Públicas.

No Ensino Superior, que se encontra em época de exames e avaliação, entre mudança de semestres, nem todas as universidades e politécnicos seguem a mesma opção. A presidente do Sindicato nacional do Ensino Superior, Mariana Gaio Alves, diz que a "tendência é continuar com aulas online" no segundo semestre. O que esta responsável considera "estranho", já que ainda não se sabe a evolução da pandemia para determinar alteração de calendário e modo de funcionamento das aulas. Aulas que recorda, muitos cursos é imprescindíveis que sejam presenciais, por exemplo as laboratoriais.

Mariana Gaio Alves lembra a preparação dos estabelecimentos do Ensino Superior para funcionar segundo as regras sanitárias. "E mostrou-se que não foi errado funcionar de maneira presencial, já que a taxa de contágios entre alunos, professores e pessoal não docente foi apenas de 1 a 1,5%".

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