Antigo presidente da CGD e do BCP arguido por gestão danosa

Em causa estarão ligações entre Carlos Santos Ferreira e os créditos a Joe Berardo, o principal arguido da operação que decorreu esta terça-feira, noticia a TVI.

Carlos Santos Ferreira, antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do BCP, foi constituído arguido na operação que deteve esta terça-feira Joe Berardo, avança a TVI. Em causa estarão as ligações entre Santos Ferreira e os créditos ao empresário.

O empresário madeirense e o seu advogado André Luís Gomes foram detidos numa operação, no âmbito de uma investigação, em curso, pela suspeita da prática dos crimes de administração danosa, burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento.

Joe Berardo não é, no entanto, o único arguido, de acordo com a estação de Queluz de Baixo, que noticia que Carlos Santos Ferreira, antigo presidente da CGD e do BCP, "entre outros ex-administradores destas entidades bancárias, estão a ser constituídos arguidos pela Polícia Judiciária pelo crime de administração danosa".

A casa de Santos Ferreira terá sido, aliás, alvo de buscas pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção. Estão em causa, processos de concessão de créditos bancários a Joe Berardo.

Berardo e o seu advogado foram detidos e levados para o Estabelecimento Prisional de Lisboa, sendo que esta quarta-feira vão ser ouvidos pelo juiz de instrução Carlos Alexandre, que decidirá a medida de coação a aplicar (sendo a máxima a prisão preventiva).

O comunicado da Polícia Judiciária indica que estão sob suspeita ações que incidem "sobretudo num grupo económico, que entre 2006 e 2009, contratou quatro operações de financiamentos com a Caixa Geral de Depósitos, no valor de cerca de 439 milhões de euros".

Prejuízo de quase mil milhões de euros à CGD, ao Novo Banco e ao BCP

"Este grupo económico tem incumprido com os contratos e recorrido aos mecanismos de renegociação e reestruturação de dívida para não a amortizar" e "causou um prejuízo de quase mil milhões de Euros à CGD, ao Novo Banco e ao BCP, tendo sido identificados atos passiveis de responsabilidade criminal e de dissipação de património", refere a PJ.

A investigação iniciada em 2016, identificou procedimentos internos em processos de concessão, reestruturação, acompanhamento e recuperação de crédito, contrários às boas práticas bancárias e que podem configurar a prática de crime.

Esta operação envolveu 180 profissionais, 138 da PJ, 26 da Autoridade Tributária, 9 do Ministério Público e 7 juízes de instrução criminal.

Foram efetuadas 51 buscas, sendo, 22 buscas domiciliárias, 25 buscas não domiciliárias, três buscas em instituições bancárias e uma busca num escritório de advogados, informou ainda esta força de segurança.

Atualizada às 00:40

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