Americana processa Airbnb depois de agressão sexual de anfitrião exemplar

Mulher de 51 anos diz ter sido abusada por um anfitrião altamente reputado no Airbnb e quer ver empresa responsabilizada por negligência na verificação de antecedentes

Leslie Lapayowker, uma norte-americana do Novo México, de 51 anos, está a processar o Airbnb depois de, alegadamente, ter sofrido uma agressão sexual por parte de um anfitrião considerado exemplar pela empresa.

Segundo o The Guardian , Lapayowker entrou na justiça com um processo por negligência que visa o Airbnb, alegando que a empresa tem de ser responsabilizada por não ter verificado os antecedentes do homem a quem arrendou um estúdio, e que já tinha sido acusado de violência doméstica.

É o primeiro processo do género, que levanta o problema de eventuais responsabilidades legais do Airbnb quando os anfitriões violam a lei ou são apanhados em atos criminosos.

Ao The Guardian, a norte-americana explicou que avançou na justiça para evitar que o que lhe aconteceu volte a suceder com outras mulheres: "Foi horrível e acho que todas as pessoas devem ser avisadas que isto poderá acontecer com elas, com as filhas, mulheres ou irmãs", sublinhou.

Leslie Lapayowker mudou-se para Los Angeles em julho de 2016, para começar num emprego novo. Tinha planeado viver o primeiro mês na casa de Carlos Del Olmo, que arrendava através do Aibnb um estúdio anexo à sua moradia, enquanto procurava uma morada permanente. Del Olmo, que era um utilizador verificado pelo Airbnb, tinha mesmo o estatuto de "superhost", ou seja, um super anfitrião - categoria reservada a quem tem críticas positivas e hóspedes frequentes. "Assumi que estaria em boas mãos", conta a norte-americana.

Mas, segundo o processo que deu entrada no tribunal, o anfitrião rapidamente fez comentários que a deixaram desconfortável, sexualmente sugestivos. Depois de três noites, Leslie Lapayowker decidiu sair do estúdio, mas quando voltou para levar o computador portátil o anfitrião disse que queria mostrar-lhe algo importante no interior do imóvel. Depois, terá fechado a porta, desceu os calções e começou a masturbar-se, beijando a hóspede à força e ignorando os pedidos dela para que parasse. "Fiquei em choque", conta a norte-americana, que inicialmente hesitou em chamar a polícia. "Tive medo que ele descobrisse onde eu morava e me perseguisse".

Ainda naquele mês, acabou por reportar o incidente às autoridades e ao Airbnb, que baniu Del Olmo do site. A polícia acabou por não dar seguimento à acusação, alegando que não havia provas suficientes do abuso sexual.

Mas um advogado de Leslie descobriu que o homem já tinha sido detido na Florida por agressões e violência doméstica, acusado de ter arrastado a vítima pelos cabelos durante uma discussão. Foi então integrado num programa de reabilitação para abusadores sexuais, uma alternativa à acusação.

Del Olmo garante que o encontro com a hóspede foi "consensual" e que tanto ela como a vítima do caso anterior tinham mentido, acusando o Airbnb de não querer colocar-se em posições vulneráveis, daí tê-lo banido.

Já um porta-voz do Airbnb garante que a empresa faz verificação de antecedentes nos EUA nas listas de suspeitos de terrorismo, registos de abusos sexuais e outras condenações "significantes". "O abominável comportamento descrito não tem lugar na nossa comunidade e não o toleraremos". Mas Leslie Lapayowker, que diz sofrer agora de stress pós-traumático, garante que ficou com a sensação de que o Airbnb não encarou o caso com a necessária seriedade.

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