Amazon italiana suspende venda de fato de menino refugiado

Máscara de carnaval é "vergonhosa" e "ofensiva", diz a Caritas

Com o carnaval à porta, já se pensa nas máscaras que os meninos vão levar para a escola. Peter Pan? Minnie? Homem-Aranha, Batman, ou algo mais original? Em Itália, uma proposta deste tipo, um fato completo de pequeno refugiado da II Guerra Mundial, com modelos para ambos sexos e mala de cartão a condizer, que estava à venda on line, na Amazon.it, foi retirada do catálogo depois de protestos da Caritas e de vários clientes da plataforma on line.

O fato, uma réplica de roupas de rapaz e de rapariga dos anos 40, foi produzido pela empresa britânica Fancy Me, que continua a comercializá-lo no Reino Unido com a designação "Wartime Refugee", que significa refugiado do tempo da guerra.

Para Oliviero Forti, diretor da divisão de imigração da Caritas, organização que opera em Itália vários centros de apoio em zonas daquele país onde os imigrantes e refugiados continuam a chegar em grandes números, a máscara só tem uma qualificação: "é uma vergonha". Em declarações ao The Telegraph, o responsável lembrou que os voluntários da Caritas "estão hoje a viver no terreno o drama de crianças refugiadas que morrem diariamente".

Que se use o dinheiro das vendas para comprar coletes salva-vida e outros artigos de primeira necessidade para as crianças que não precisam de se mascarar de refugiadas, porque já o são

"A minha crítica não é para a Amazon, mas para a empresa que está a vender o fato", explicou Oliviero Forti. "É uma questão de bom de gosto e de ter a coragem para, em determinados momentos, recolher produtos que já não são apropriados".

A venda da máscara foi denunciada no semanário católico italiano Famiglia Cristiana por Andrea Ferrari, que se questionava: "Quem havia de dizer que uma empresa britânica havia de propor na Amazon.it um produto que, por menos de 24 euros, ia ofender a dignidade de milhares de pessoas durante o carnaval?".

Depois da publicação do artigo, muitos clientes protestaram e a Amazon.it apressou-se retirar o artigo, emitindo um comunicado em que o classificava como "de mau gosto" e "ofensivo".

À Fancy Me, Oliviero Forti deixou um pedido: que use o dinheiro das vendas do fato para comprar coletes salva-vida e outros artigos de primeira necessidade para as crianças que não precisam de se mascarar de refugiadas, porque já o são.

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