Alentejo quer manter o título de 'Nova Toscana'

A uma hora de Lisboa, está uma das regiões mais elogiadas pelos especialistas de todo o mundo no que respeita ao enoturismo: o Alentejo.

Quem sobe aos céus do Alentejo num balão observa que a região tem cada vez mais vinhas a dominar a paisagem enquanto se apercebe de que a brisa que faz ondular as searas lá em baixo o afasta da referência azul que é a piscina da Herdade da Malhadinha Nova. Nada que deva preocupar o balonista, pois não está sozinho, há uma equipa que se preocupa em satisfazer qualquer capricho do visitante e possibilita todo o tipo de experiências, feitas à medida de quem escolhe a região para passear.

Ao redor do azul da água da piscina reconhece-se o hotel da propriedade e a poucas centenas de metros o restaurante, onde a inspiração do chef Joachim Koerper se faz sentir através de uma equipa liderada por Bruno Antunes, que serve um menu de degustação impossível de esquecer, mesmo ao lado da adega aonde chegam o resultado das vindimas da vinha que cerca a propriedade.

Não é por acaso que se tem visto impressa em revistas estrangeiras a expressão "nova Toscana" quando se fala destas planícies, designação que aparece correntemente em jornais e revistas internacionais após a avaliação dos seus melhores peritos sobre as potencialidades turísticas do Alentejo. Foi isso que escreveu Guy Trebay na prestigiada revista de viagens Condé Nast Traveler que está sobre uma das mesas do hotel da Malhadinha Nova. Mas também uma referência constante em artigos nos jornais The Guardian e The New York Times ou na National Geographic. Isto sem esquecer as classificações da Wine Spectator, entre outras revistas da especialidade, que têm elevado os vinhos do Alentejo a pontuações antes impensáveis.

Não é só esta "publicidade" que obriga centenas de visitantes a peregrinações ao Alentejo, nem o património histórico abundante na região, mas também a curiosidade em saber onde e como são produzidos os vinhos que bebem nos restaurantes dos seus países. Entre os mais conhecidos lá fora estão sem dúvida os vinhos da Herdade do Esporão, aonde essa peregrinação é certa numa deslocação de hora e meia entre Lisboa e Reguengos de Monsaraz. Quem vai a esta herdade e não tem pressa pode experimentar as delícias de uma cozinha ibérica nas imediações do Esporão. No centro de Reguengos de Monsaraz, a Taberna Al-Andaluz, onde o dono e chef, José Morgado, gosta de surpreender quem por ali passa com uma cozinha que exige as melhores garrafas dos vinhos da região.

A clientela da Taberna é como a das grandes marcas e vinhos do Alentejo, preferencialmente feita de conhecedores que sabem o que querem. Muitos portugueses, mas também estrangeiros que ao viajarem para Portugal não resistem ao que a região das planícies oferece em contraponto a destinos mais sonantes no cartaz do turismo nacional. Assim sendo, acontecem por ali histórias para todos os gostos, algumas que até parecem saídas de romances que antigamente teriam como cenário a Toscana e que agora também cabem no Alentejo. É o caso de Carrie e Hans Jorgensen, que descobriram a Vidigueira em 1998. Hans trabalhava em plantações de palmeiras na Malásia, conheceu Carrie, apaixonaram-se e partiram num veleiro à descoberta de um lugar para começar a vida do princípio. Quis a atmosfera que um vento mais forte partisse o mastro principal da embarcação ao largo de Lisboa e fizessem a reparação na capital. Aproveitaram esse mês para conhecer parte do país. Como do Douro já sabiam alguma coisa, foram para sul. O Algarve não os seduziu - ouviam demasiado linguajar estrangeiro - e, enquanto subiam para norte, descobriram a Vidigueira e uma propriedade que estava à venda. Era maior do que desejavam, tem 180 hectares, mas o preço enquadrava-se no orçamento que existia para esta nova aventura. E ficaram até hoje na propriedade de Cortes de Cima, que atualmente produz dois milhões de garrafas por ano.

Se a tendência Alentejo está em alta, escolher a propriedade onde ficar é a pergunta sagrada - e com resposta muito ampla.A Herdade da Malhadinha Nova é uma opção, nas imediações de Albernoa. Rita Soares conta a história deste projeto de luxo que continua a crescer desde que a herdade foi adquirida em 1998 através de duas fotos de época: uma com a ruína onde está o hotel e outra onde se encontra o restaurante e a adega, santuário onde se enchem 380 mil garrafas todos os anos de várias castas. Separados por uma estrada, que passa entre os vinhedos, as criações de vaca alentejana e de porco preto, bem como da coudelaria com uma dúzia de cavalos lusitanos, o visitante tanto pode optar por permanecer apenas no Country House e Spa como beneficiar de todo o resto das instalações.

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