A vertigem desta descida louca custa menos à segunda vez

Os audaciosos pilotos arriscaram a sorte em lombas, curvas em relevé e várias chicanas, tentando cruzar a meta no menor tempo possível

Foi a segunda vez que José Gonçalves participou nas corridas smart Loves Lisboa, mas aprendeu bem a lição: depois de 30 anos sem se ver ao "volante" de um carrinho de rolamentos, este professor de 42 anos recuperou a prática da infância e conquistou o 1.º lugar do pódio da corrida smart, que ontem foi disputada no Parque Eduardo VII.

A proeza de José Gonçalves foi ainda maior se se considerar que conseguiu cortar a meta à frente de Nuno Lopes, um mecânico de profissão que já é veterano das andanças de rodas de rolamentos. Para tanto, Gonçalves circulou - passando por lombas, curvas em relevé e chicanas - a uma velocidade média de 21,87 quilómetros por hora, contra os 20,98 km/h do vice-campeão deste ano.

Mais espantoso ainda foi o desempenho de João Baracho, o estreante de 14 anos que se classificou em terceiro lugar. Apoiado por toda a família - dentro e fora da pista, já que além dele arriscaram também a descida o irmão gémeo, Guilherme, bem como o pai e o avô (ver texto na página ao lado) -, João percorreu os cerca de 500 metros até à meta a uma velocidade média de 20,74 quilómetros por hora e em pouco mais de um minuto (ver caixa ao lado).

Uma breve conversa com a família Baracho e fica-se na dúvida se o jeito para conduzir estes bólides de madeira fará parte da sua informação genética. Afinal, segundo reivindica Manuel Domingos, o avô materno do campeão, terá sido ele a inventar os carrinhos de rolamentos em Portugal, por volta de 1959. Mas à exceção disso, João Baracho nunca antes tinha entrado numa competição do género. "O meu avô fez-me um carrinho de rolamentos. O máximo que eu andei foi na garagem, ao pé da casa do meu avô. Nunca tive uma pista com obstáculo e curvas e ressaltos", confessou o jovem campeão.

Ex-premiados entre os finalistas

Fora do pódio, mas incluídos no grupo dos 15 finalistas da prova, ficaram Alexandre Gonçalves, o vice-campeão do ano passado, e Vítor Primoroso, outro veterano premiado em 2015.

Primoroso não conseguiu repetir neste ano o feito da edição anterior do smart Loves, em que se sagrou o único piloto da corrida smart a cortar a meta em menos de um minuto (isto é, em 00:59,328), o que lhe valeu a conquista do galardão de melhor piloto com smart. Só o facto de ter tido um percalço na última manga disputada evitou que arrecadasse o título da edição anterior.

Digno de nota foi também o facto de os restantes 13 pilotos finalistas da corrida smart deste ano serem todos estreantes ou quase - além dos dois veteranos já referidos, só havia mais dois participantes que antes tinham experimentado esta vertiginosa condução, sendo pilotos repetentes do smart Loves.

Um bicampeão no freestyle

Na corrida freestyle, António Rodrigues, mais uma vez, demonstrou-se imbatível. Sem concorrência séria à velocidade do seu trike, o estafeta de 47 anos sagrou-se bicampeão, a 18.329 segundos de distância do segundo classificado.

"Não tive concorrência porque o meu carro é um trike de competição e as pessoas deviam fazer mais carros para eu não estar sempre a ganhar", disse no final António Rodrigues, mas com um sorriso satisfeito no rosto. Apesar da vitória, o bicampeão foi neste ano mais lento, tendo demorado 59,953 segundos a cruzar a meta, contra os pouco mais de 50 segundos do ano passado.

No segundo lugar, ficou outro habitué destas lides de rolamentos. Aníbal Almeida, de 67 anos e mecânico de profissão, que voltou a correr com o fórmula 1 de rolamentos de sua autoria. E apesar de ser um dos pilotos mais velhos em pista e de estar engripado, ninguém lhe roubou o título de vice-campeão.

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