A solução portuguesa que ajuda comboios a chegar a horas

Hitachi instalou em Lisboa o centro de excelência para a área da mobilidade a nível mundial, com 15 elementos. E também constrói tecnologia para os autocarros.

A colocação de sensores junto à linha ajuda os comboios a chegar a horas. A solução nasceu em Portugal através do centro de excelência para a área da mobilidade da consultora Hitachi Vantara, que conta com uma equipa de 15 pessoas. A proposta desenvolvida a partir de Lisboa será também adaptada para os autocarros.

"O nosso foco é obter melhores dados e informação que permitam, em tempo real, tomar melhores decisões na rede ferroviária", explica ao Dinheiro Vivo/DN o diretor de inovação da Hitachi Vantara, Paulo Valério.

Os sensores são colocados perto dos aparelhos de mudança de via, cada vez mais operados automaticamente. Através da recolha de dados, como a vibração e a distância a que está o comboio, é possível verificar se esses equipamentos estão a funcionar devidamente, contribuindo para a pontualidade ferroviária.

"Não havendo problemas com estes aparelhos, os comboios fazem o percurso no tempo estipulado e o passageiro repara que a viagem é muito mais fiável, tranquila e confortável", recorda o mesmo responsável.

A correta manutenção dos equipamentos também reduz os custos de exploração das vias férreas porque "existe um melhor planeamento das ações das equipas de campo na avaliação e manutenção" dos gestores de infraestruturas, a quem esta solução poderá ser vendida.

Entre os próximos passos, a empresa japonesa quer aproveitar as câmaras de vídeo do próprio comboio para verificar os cabos elétricos que fornecem corrente aos pantógrafos. A recolha dos dados, contudo, ainda é o principal desafio por causa de algumas falhas na cobertura de rede móvel em toda a infraestrutura sobre carris.

"Queremos incorporar a analítica do vídeo do próprio comboio a olhar para a catenária e verificar se há algum problema durante a passagem do pantógrafo. Vamos ter uma plataforma aberta para incluir dados de outros fornecedores", antecipa Paulo Valério.

Portugal, para já, concentra apenas a parte do processamento dos dados, a partir das instalações da Hitachi Vantara. A equipa lusitana foi escolhida graças ao trabalho realizado há alguns anos com o centro de excelência para espaços inteligentes, também instalado na capital.

Através de sensores 3D e Lidar (deteção remota de objetos com laser pulsado), em conjunto com a inteligência artificial, tornou-se possível medir a velocidade e o fluxo das pessoas em cidades sem identificar os cidadãos, que ficam pixelizados nas imagens.

Em espaços que recebam bastantes turistas, a solução permite controlar o número de pessoas que entra todos os dias para garantir a segurança dos visitantes, e dos habitantes, assegurando um impacto mínimo na qualidade de serviço prestado pela cidade.

Voltando aos transportes, a Hitachi está a alargar a solução ferroviária para as estradas. "Vimos que esta plataforma também poderia ser utilizada para o nosso conceito dos autocarros inteligentes." A proposta surgiu depois de uma maratona de programação de três dias, realizada em formato remoto pela empresa.

A tecnologia para os autocarros terá impacto nas empresas que gerem as frotas de pesados. "No Reino Unido, os autocarros foram transformados num serviço. Quanto mais informação se recolher destes veículos e do seu estado de intervenção, garantimos maior tempo de utilização e não é necessário ter tantos autocarros na garagem."

jornalista do Dinheiro Vivo

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