A primeira gala solidária de Natal do IPO de Lisboa... e de Tomás

Tomás Mello Breyner tem 25 anos e foi operado a cancro da tiroide. Ao DN falou do projeto e dos sonhos que partilha com a namorada

Tomás não quer ser conhecido como o doente com cancro que está a preparar um evento para apoiar o IPO de Lisboa. Quer ser simplesmente Tomás Mello Breyner. O jovem de 25 anos, o empresário por conta própria, o organizador da primeira - e outras mais, pelo menos assim o planeia - gala de Natal do IPO. Sim, é uma retribuição pelo cuidado que recebe há dois anos. E também uma prova de fogo profissional e de que a vida, mesmo com alguns percalços, é o que se quer que ela seja.

"Dizer doente... Parece dramático e não me sinto doente", diz. A voz é sumida, consequência do cancro papilar da tiroide que obrigou a uma traqueotomia (uma operação que abre um buraco na garganta para que possa respirar) e que retirou grande parte do cancro. "É uma coisa minúscula", acrescenta, para Maria, a namorada, rematar: "Os valores variam muito. Não pode ser operado e fazer tratamento porque não se sabe bem o que ficou. Está a ter consultas de vigilância a cada quatro meses."

A gala está marcada para dia 8 deste mês, no salão Preto e Prata, no Casino Estoril, um dos vários apoios que conseguiu. "Deste tamanho e sozinho é a primeira vez que organizo. Queria preparar um evento que achei que seria útil para o IPO e fiz uma proposta. Mas entre o que idealizei e o que consegui, é diferente. Para o ano quero que seja melhor", afirma.

Tomás gostava que a gala tivesse transmissão na televisão para conseguir mais dinheiro. O valor vai ser aplicado a 100% no serviço de otorrinolaringologia: obras de reestruturação e compra de equipamentos mais modernos que custam entre 10 e 80 mil euros. Mas tem uma linha - 760 200 350 - para quem quiser ligar a contribuir. "O IPO tem um serviço fantástico. Todos os que trabalham lá dão tudo pelos doentes. São atenciosos, com calma, bem-dispostos. É um serviço muito competente", diz.

Um homem do espetáculo

Na adolescência, Tomás já era um rapaz do espetáculo. "Com 15 anos já fazia parte da equipa técnica do colégio dos Salesianos, no Estoril, que organiza os teatros da escola. Em dezembro não ia às aulas, só aos testes. Tínhamos faltas justificadas. Quando cheguei ao 12.º ano não havia nenhum curso que me fascinasse. Queria uma coisa prática e tirei produção de eventos."

O cancro foi um choque, um desafio e um antecipar do projeto profissional, com o patrocínio de uma das tias. "Sou empresário em nome individual, faço a montagem e gestão de eventos. Estou a fazer o que gosto. Queria ter a minha empresa, mas tinha pensado primeiro trabalhar com outros para ganhar experiência. Mas com a minha dificuldade em falar era impossível."

Maria e os três a cinco... filhos

Tomás e Maria estão juntos há cerca de dois anos e meio. Conheceram-se numa saída à noite. Quatro meses depois, ele descobriu que tinha cancro. O mesmo que cinco tias enfrentaram com sucesso, tal como o pai que recebeu o diagnóstico de cancro três vezes. Os médicos ainda estão a fazer o estudo genético da família, mas já avisaram que os filhos de Tomás têm 50% de probabilidades de poder ter cancro.

Maria Paes de Carvalho tem 21 anos. Tem sido a parceira de todas as horas. "Durante um semestre não consegui ir às aulas. Mas correu tudo bem, os professores foram compreensivos", conta. Terminou o curso de psicologia forense e criminal e está a fazer o mestrado. As gargalhadas entre os dois são uma constante. Como ambos dizem, Tomás "é uma criança grande" e com "muito medo de agulhas", remata Maria. Sabe todos os termos médicos, recorda-se de sustos que Tomás já não lembra e das 12 horas que foram precisas para a enfermeira conseguir tirar sangue ao namorado para fazer análises.

Planos para o futuro? "Na empresa, gostava de dar resposta a mais clientes e ter vários eventos ao mesmo tempo. E quero continuar a fazer eventos solidários. É por isso que esta gala se chama a primeira. Porque quero que sejam mais", diz. E com Maria? "Casar depois de ela acabar o mestrado em 2017." Ainda não houve pedido oficial porque ela avisou que "não queria ficar noiva imenso tempo". Filhos também estão nos planos. "Queremos ter cinco. Ele quer três, mas quero cinco e já sabemos os nomes dos dois primeiros. Se for rapaz será Tomás, se for menina Maria Isabel", diz Maria.

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