A festa do Sporting não merecia ser estragada

Os ajuntamentos de adeptos durante os festejos do campeonato leonino voltaram a lançar o ministro Eduardo Cabrita para a olho do furacão. Na justiça, a morte de Ihor ditou as primeiras condenações, numa semana em que Santana Lopes voltou a "andar por aí" e o país se despediu da atriz Maria João Abreu.

Sábado, 8 de maio

Um compromisso para a Europa

A Cimeira Social, tida como ponto alto da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, serviu para as diferentes instituições europeias e os parceiros sociais se unirem num compromisso que passa à história como Declaração do Porto. Esta prevê colocar "a educação e as competências" no "centro da ação política", segundo António Costa. A posição conjunta dos Estados membros visa dar suporte político ao Pilar Europeu dos Direitos Sociais apresentado em março e assente em três grandes metas para 2030: ter pelo menos 78% da população empregada, 60% dos trabalhadores a receberem formação anualmente e retirar 15 milhões de pessoas do risco de pobreza e exclusão social. Um desafio a médio prazo mas que tem de começar já a dar resposta à crise provocada pela pandemia.

Domingo, 9 de maio

A visibilidade como trunfo para Santana

"No mesmo dia, à mesma hora, uns anos depois. Cá estou." Foi assim que Santana Lopes anunciou que vai avançar como independente à Figueira da Foz, município que já liderou há 24 anos. Primeiro-ministro, deputado, eurodeputado, autarca, líder de dois partidos diferentes (PSD e Aliança), provedor da Santa Casa, presidente do Sporting, Santana já experimentou um pouco de tudo (faltou-lhe ser ministro), sendo um dos raros casos de alguém que conseguiu ser manchete de política, de jornal desportivo e de revista cor-de-rosa. Visibilidade nunca lhe faltou. E será esse o principal trunfo a que poderá agarrar-se numa disputa eleitoral que se adivinha inglória: desde que o PS chegou ao poder em 2009 (37,78% dos votos), o número de eleitores que votaram nos socialistas subiu sempre (46,35% em 2013 e 50,06% em 2017).

Segunda-feira, 10 de maio

Morte de Ihor dá um primeiro passo na justiça. Falta o resto

Passaram 14 meses entre a morte de Ihor e a sentença aos três inspetores do SEF acusados pelo MP: nove anos para Duarte Laja e Luís Silva e sete para Bruno Sousa. O juiz não deu como provados que os inspetores tivessem a intenção de matar, mas considerou que os arguidos "agiram com o propósito de bater e causar dor, para que a vítima ficasse quieta" e "sem se preocuparem com as consequências". Mas o caso que manchou a imagem do SEF está longe de ter terminado já que o juiz mandou extrair mais certidões do processo por considerar que "há um conjunto de pessoas [mais inspetores e seguranças] cuja atuação não fica isenta de reparos". A gravidade do que se passou no aeroporto de Lisboa impõe o apuramento da responsabilidade de todos os envolvidos. Para bem da justiça.

Terça-feira, 11 de maio

Um justo campeão e uma festa estragada

O Sporting foi um justo campeão e um exemplo cabal de como a aposta na formação pode dar retorno desportivo e financeiro. Rúben Amorim - tiro certeiro do presidente Frederico Varandas - utilizou dez jogadores que cresceram na Academia. Alguns, como Nuno Mendes ou Tiago Tomás, nem sequer eram nascidos quando o clube foi campeão pela última vez, em 2002. A aposta de contratar em Portugal também deu resultados, com Pedro Gonçalves à cabeça. E há em tudo isto um enorme mérito do treinador que com menos armas do que os rivais conseguiu montar uma equipa competente, supermotivada, sedenta de títulos e ainda invicta na Liga. A festa seria manchada pelo ajuntamento descontrolado de adeptos em Alvalade e no Marquês. E, com isso, o futuro político de Eduardo Cabrita voltou a ser assunto...

Quarta-feira, 12 de maio

O ministro que não sai do olho do furacão

O ministro da Administração Interna continua a resistir a todas as polémicas. Dos fogos à atuação do SEF na morte de Ihor, dos imigrantes de Odemira às falhas de segurança nos festejos dos adeptos do Sporting, não têm faltado motivos para a oposição pedir a demissão de Eduardo Cabrita. Mas António Costa não abre mão do ministro (pelo menos até ver). Quarta-feira, no parlamento, e já depois de Marcelo ter pedido o apuramento de responsabilidades, voltou a sair em defesa do MAI. Com um elogio, que ao mesmo tempo o cola a todas as controvérsias que Eduardo Cabrita enfrente: "Quem me dera que o meu problema fosse o ministro da Administração Interna. Significa que não tenho um problema porque tenho um excelente ministro".

Quinta-feira, 13 de maio

Maria João Abreu, uma atriz que "se parece connosco"

Começou a carreira no teatro, mas foi principalmente a televisão que a tornou uma das atrizes mais conhecidas dos portugueses ou não tivesse participado em mais de 60 telenovelas, séries e telefilmes. Para a história ficam personagens como a empregada doméstica Lucinda, em Médico de Família, sempre num registo bem-disposto, de comédia, que tanto cultivou no teatro de revista. A popularidade de Maria João Abreu ficou bem expressa nas reações que se seguiram à sua morte, aos 57 anos, após sofrer dois aneurismas. "Representava para muitos portugueses a familiaridade de quem está connosco porque se parece connosco", sintetizou bem Marcelo Rebelo de Sousa.

Sexta-feira, 14 de maio

Regresso britânico em boa hora

A partir de segunda-feira, as viagens não essenciais de e para o Reino Unido voltam a estar autorizadas (mediante a apresentação de um teste negativo para a covid-19 realizado nas 72 horas anteriores), o que abre de novo as portas de Portugal ao mercado turístico britânico, tão fundamental para o setor. A notícia surge na melhor altura, às portas do verão, e no dia em que o INE revelou os números do turismo em março (ainda em confinamento). Estes mostram que os proveitos totais obtidos pelos estabelecimentos de alojamento turístico nesse mês atingiram 26,4 milhões de euros, uma queda de 73,5% face ao mesmo período de 2020.

pedro.sequeira@dn.pt

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