96 concelhos afetados pelos fogos têm caça proibida

Por lei, é proibido caçar nas áreas atingidas com mais de mil hectares. Sociedade civil mobiliza-se para alimentar veados e corsos

Em 96 concelhos do país afetados pelos incêndios está proibida até 31 de maio do próximo ano a caça ao coelho, lebre, perdiz e codorniz, por exemplo, e a toda e qualquer qualquer espécie cinegética, nos terrenos ardidos com área superior a 1000 hectares, bem como numa faixa de proteção de 250 metros em torno destas.

A destruição de espécies selvagens causada pelos incêndios florestais levou a duas portarias que limitam e restringem a caça nas zonas queimadas: uma publicada a 15 de setembro, por causa da devastação em junho nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pêra e Figueiró dos Vinhos; e outra de 3 de novembro, que alarga as restrições a 96 concelhos do país, dado o alcance dos fogos de 15 de outubro no norte e no centro. Na Lousã, a proteção dos animais selvagens sobreviventes também levou a uma ação de alimentação artificial destinada às populações de veados e corços que sobreviveram aos incêndios naquela região, mas esse foi o resultado de uma mobilização da sociedade civil.

"Este ano, que foi atípico e anormal, houve necessidade de adotar medidas mais rígidas", afirmou o tenente-coronel Joaquim Delgado, responsável pela divisão da Proteção e Vigilância florestal do SEPNA (Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente) da GNR . "Com a portaria, pretende-se proteger as espécies que sobreviveram aos incêndios porque ficam confinadas a uma área não ardida muito pequena. São os casos da perdiz, do coelho, da lebre ou da codorniz", explica o oficial.

"Por outro lado, fica também definido que a caça às aves migratórias como o pombo ou o tordo, que vai agora começar, será restrita a dois dias por semana nas zonas atingidas pelos incêndios nos distritos de Castelo Branco, Coimbra, Guarda e Leiria", sublinha.

Segundo a portaria 333-A, de 3 de novembro, caberá às associações de caçadores comunicar, por escrito, ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), os dois dias em que irão caçar espécies migradoras.

"Por exemplo, o Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, afetado pelos incêndios deste Verão, era a principal zona de dormida do tordo. Por isso queremos agora proteger essa e outras espécies", adiantou o tenente-coronel Joaquim Delgado. O oficial destaca que "há distritos com áreas ardidas bem superiores a 1000 hectares, como Leiria, Viseu, Castelo Branco ou Santarém, onde está proibida a caça até 31 de maio de 2018".

Para o próximo ano, as zonas de caça associativas e turísticas concessionadas cujos terrenos se encontrem abrangidos por estas proibições ficam isentas do pagamento da taxa anual.

Sociedade civil alimentou veados

Depois do incêndio de Pedrógão, que devastou parte da serra da Lousã, onde há populações numerosas de veados e de corços, foi a sociedade civil que se mobilizou para garantir alimentação aos animais sobreviventes. "A ação começou em julho e durou até há muito pouco tempo", conta o biólogo Carlos Fonseca, da Universidade de Aveiro, que estuda aquelas espécies. "Conseguiu-se fornecimento de palha e outros alimentos e os veterinários municipais e algumas pessoas implementaram a ação, até para fixar os animais nas áreas superiores da serra, de forma que não descessem às aldeias e causassem prejuízos na agricultura". Na falta de alimento, os animais procuram-no nas zonas agrícolas e isso pode suceder agora nas regiões dos últimos incêndios.

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