100 instituições subscrevem declaração para investigação em neurociências mais justa e inclusiva

Leonor Beleza defende que "sejam os neurocientistas a liderar transformações tem uma particular importância, em virtude da relevância das perceções e das escolhas que as áreas da inclusão/exclusão comportam"

Cerca de cem instituições científicas internacionais, incluindo quatro portuguesas, subscreveram uma declaração que será hoje apresentada com o objetivo de promover uma comunidade de investigação mais justa e inclusiva na área das neurociências.

A declaração é uma iniciativa da rede ALBA, criada em 2018 por cientistas de diversos países para promover a igualdade e a diversidade na investigação das neurociências, através da partilha de boas práticas, e para dar mais visibilidade e oportunidades de trabalho em rede e de mentoria a investigadores de grupos sub-representados.

"A declaração descreve ações concretas que indivíduos e organizações podem implementar, a fim de tornar os seus ambientes de trabalho mais equitativos e inclusivos", adiantou Megan Carey, investigadora no Centro Champalimaud e que preside ao grupo de trabalho que elaborou o documento.

Instituições como a University College London, o International Brain Research Organization, o European Brain Council, a FENS-Kavli Network of Excellence, o Black in Neuro e o Carney Institute for Brain Science da Brown University já assinaram a Declaração da ALBA.

Em Portugal, a Declaração sobre Equidade e Inclusão conta com a subscrição da Fundação Champalimaud, do Instituto Gulbenkian de Ciência, do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes e da Sociedade Portuguesa de Neurociência.

"Os princípios e as ações que a Declaração adota podem conduzir-nos a ambientes facilitadores de um conhecimento livre de pré-juízos, equitativo para todos e mais favoráveis ao pleno desenvolvimento das capacidades e da realização de todos os cientistas", salienta Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, num comunicado divulgado pela fundação a propósito da declaração internacional. "As pessoas em geral beneficiarão da investigação respeitadora da igualdade e consciente do peso das diferenças. Que sejam os neurocientistas a liderar transformações tem uma particular importância, em virtude da relevância das perceções e das escolhas que as áreas da inclusão/exclusão comportam", acrescentou.

Os promotores da iniciativa consideram que o documento representa um "importante passo no sentido da promoção de uma comunidade de investigação justa", tendo em conta que prevê um "conjunto de ações concretas com as quais indivíduos e instituições podem comprometer-se a fim de tornar as suas organizações, e a comunidade das neurociências, mais inclusivas".

A rede ALBA está sediada na Federação das Sociedades Europeias de Neurociência (FENS), membro fundador juntamente com a International Brain Research Organization (IBRO) e a Society for Neuroscience (SfN).

A FENS foi fundada em 1998 e representa atualmente 43 sociedades nacionais de neurociência, com cerca de 22 mil cientistas membros provenientes de 33 países europeus.

A apresentação pública da declaração decorrerá hoje no âmbito de um encontro virtual promovido pela Sociedade para a Neurociência, que conta com mais de 37 mil membros de 95 países.

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