Diretor nacional da PSP quer saber o que os polícias pensam dele... "sem filtros"

Magina da Silva enviou um email aos agentes que lidera com um questionário para classificarem a sua atuação no primeiro ano

Magina da Silva foi nomeado diretor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) em janeiro de 2020 e tomou posse no dia 3 de fevereiro. Agora, depois de completar um ano no exercício das funções, quer saber o que os polícias e subordinados em geral pensam dele.

Num email enviado aos 19 000 polícias e pessoal técnico de apoio à atividade operacional, no dia 16 de março, o diretor nacional da PSP pede que classifiquem a sua atuação enquanto líder. "À semelhança do que já fiz com os comandantes e diretores, numa perspetiva de melhoria pessoal e profissional, é para mim importante avaliar, de forma direta e sem filtros, a perceção que tendes sobre a forma como tenho cumprido as minhas funções, dentro da minha esfera de competências, em áreas que considero serem importantes para o desempenho de um bom comando e liderança", pode ler-se no email.

Magina da Silva refere ainda a "importância do contributo esclarecido, honesto e sincero". Pois só dessa forma e "juntos" é possível "a materialização da visão - "Uma Polícia integral, humana, forte, coesa e ao serviço do Cidadão". E, para garantir que receberá respostas sinceras, o questionário é anónimo e confidencial. E terá de ser respondido até ao dia 26.

Três polémicas a escrutínio

O questionário acontece cerca de 15 dias de uma decisão polémica do chefe máximo da PSP, que, tal como o DN noticiou causou alguma revolta entre a força policial. Manuel Morais, agente do Corpo de Intervenção, ex-sindicalista e ativista antirracista, viu Magina da Silva confirmar a sua suspensão por 10 dias, por ter chamado "aberração" a André Ventura na rede social Facebook e ter defendido a "decapitação", em sentido figurado, dos racistas.

O racismo dentro da PSP e a associação de agentes a partidos políticos ou associações de extrema-direita, como o Movimento Zero, levaram o diretor geral a sair em defesa dos seus agentes, garantindo que "há tanto racismo na PSP como há na sociedade portuguesa".

Há cerca de um mês, para testar a sua popularidade junto aos oficiais, Magina a Silva enviou também um questionário aos comandantes e chefes de departamento da PSP. O DN sabe que já está na posse dos resultados, mas não os divulgou.

Esta iniciativa está a ser interpretada internamente como uma tentativa de Magina perceber que apoio pode ter dos seus oficiais e das bases, caso o MAI venha a considerar a sua substituição - que chegou a ser ponderada depois das polémicas declarações que fez em Belém sobre a suposta fusão do SEF e da PSP que garantia estar a ser estudada pelo governo, o que se veio a revelar um tiro totalmente ao lado do que foi depois anunciado.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, não gostou e lembrou que não é "um diretor de Polícia" que anuncia reforma do SEF.

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