"Vê-se de tudo e nalgumas alturas chegamos a ter medo"

Catarina Coelho distribuiu inquéritos porta a porta no Censos de 2001. Houve quem se ofendesse com algumas das perguntas.

Rua a rua, freguesia a freguesia. Nenhuma casa pode ficar por recensear, mas para os entrevistadores que este ano vão palmilhar o País para fazer o Censos da população a tarefa "não é fácil".

"Vê-se de tudo e nalgumas alturas chegamos a ter medo", diz Catarina Coelho, que há dez anos foi escolhida para ser uma das entrevistadoras dos Censos 2001.

Então com 27 anos, a actual professora universitária recebeu "1400 euros" para ser coordenadora dos Censos 2001. Uma operação feita com a utilização de "um mapa cartográfico com divisões das freguesias em secções e subsecções". O mapa "servia como um guia para o recenseador entregar os questionários a todas as habitações", que depois recolhia.

Um trabalho difícil, sobretudo pela "relutância das pessoas em preencher os questionários: umas não abriam as portas, outras recebiam mal o recenseador". Dificuldades que Catarina explica com o tipo de questões do inquérito, "que procurava saber em pormenor as condições de vida das pessoas". Perguntar se a habitação tem esgotos ou água canalizada ou sobre o vencimento médio das famílias "muitas das vezes não era bem recebido pela população". Houve situações em que "fui ameaçada caso não me fosse embora", conta. "Nalgumas alturas cheguei a ter medo".

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