Um jovem português "à boleia" pelo mundo

O bandolim é o mais fiel companheiro Luís Pinto, 22 anos, deixou tudo para trás há seis meses e decidiu viajar "à boleia" pelo mundo. A aventura ainda vai a meio.

"Deixei todas as moedinhas em casa, com o meu bandolim, com a minha mochila, saí a pé, parti à aventura [e] comecei a apanhar boleia. Levei merenda para os primeiros dias, mas toquei na rua para conseguir começar a ganhar dinheiro", descreve o estudante de engenharia mecânica da Universidade do Porto, à agência Lusa em Macau, onde chegou há uns dias.

Desde que saiu de Portugal, em julho, Luís Pinto atravessou as fronteiras da Europa e entrou na Ásia, numa ampla rota que conta já com uma dezena de países e de territórios. A aventura tem o fim previsto para setembro, com o regresso a Portugal, mas antes ainda há outras paragens para explorar.

"Parti primeiro pelo sul da Europa, entrei na Ásia na Turquia, fiz o Irão e o Paquistão, desci para o Dubai, Omã, depois voei para o Sri Lanka, Índia, Nepal e agora Hong Kong e Macau", conta Luís Pinto.

"Estava um pouco desconcentrado no meu curso, então decidi que precisava de quebrar a minha rotina e explorar algo mais por mim próprio", explica o aspirante a engenheiro.

Sem dinheiro, Luís Pinto trabalha nos locais por onde passa, angariando verbas com a música que toca e vivendo da boa vontade e generosidade daqueles que com ele se vão cruzando: "A música deu-me confiança para acreditar que conseguia desenrascar-me sozinho".

"Ganho sempre dinheiro no país anterior para conseguir arranjar o visto e a forma de subsistência no país seguinte e assim irá continuar enquanto estou em Macau para poder ir para a Tailândia até chegar à Austrália", partilhou.

Tudo tem seguido ao ritmo das oportunidades: "Nunca paguei para dormir, mas também nunca fui dormir de barriga vazia". Ficou um mês sem "único cêntimo no bolso", mas estava com "o grupo de amigos certo", que lhe oferecia dormida e comida, pois houve alturas em que não foi possível arranjar trabalho.

"No Sri Lanka estive um mês preso na ilha porque não conseguia arranjar dinheiro para voar nem para a Índia", já que era a época das monções e não havia turistas e, portanto, "não havia negócio".

A diversidade dos países, povos e culturas que conheceu é tanta como as histórias que deles extraiu. Tanto que planeia contá-las "de uma forma muito caraterística" em livro, a publicar à chegada. Ainda não tem editora, estando "aberto" às possibilidades.

"Existem tantos episódios", sublinha Luís Pinto, apontando que se foi apercebendo de que "tudo tem um sentido, uma razão de ser".

Quando estava em Valência, por exemplo, procurando apanhar boleia para norte, rumo a França, nem um único carro parou em oito horas. Sentia-se "frustrado" e, como se não bastasse, um polícia disse-lhe que não poderia ali permanecer. Voltou para o centro da cidade, mas não desistiu. Regressou, levantou o braço e ergueu o dedo e um carro parou imediatamente.

"Entrei, tinham latas de cerveja - valeu a pena. Era malta jovem e, por acaso, iam para um concerto e tinham um bilhete de borla. Acabei aquela noite a ver Guns N' Roses", conta.

Em Bombaim, a sorte também esteve do seu lado. "Uma produtora de Bollywood interessou-se pela minha história e decidiu patrocinar-me com a uma viagem para eu gravar vídeos (...). Foi-me oferecida uma câmara e gravo uma vez por semana um vídeo que é publicado na minha página no Youtube, que se chama 'Life Travel World'".

"Intitulo-me como 'Life Traveller', não me interesso tanto pelos locais que visito, mas pelas vidas que vivo", explica.

Luís Pinto confessa ter os seus "sonhos e planos", mas não se importa de seguir "um caminho diferente". "O meu objetivo é, em setembro, chegar a Portugal. Que caminho tomo? Isso vai ser ditado pela boa disposição dos outros e pela minha força de vontade", diz.

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