Três em cada dez escolas com médias negativas

Quase um terço das 599 escolas secundárias analisadas tiveram médias inferiores a 9,5 valores. Lisboa não coloca nenhuma nas 5 mais. (CONSULTE AQUI O RANKING COMPLETO)

Quase um terço (27%) das escolas secundárias tiveram médias negativas - abaixo de 9,5 valores - nas duas fases dos exames nacionais deste ano, quando, em 2009, mais de 85% das escolas tinham tido médias positivas, apenas na primeira fase. Mas tendo em conta os critérios utilizados pelo DN em relação a 599 escolas, a percentagem das que não chegaram sequer aos 10 valores sobe para os 41%. O ranking de 2010 mostra que o Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, é a melhor escola do País e que Lisboa, pela primeira vez, não colocou uma única escola entre as cinco primeiras da lista, onde se destaca a entrada de uma pública para o último lugar do pódio.

Os privados continuam a dominar os primeiros lugares da tabela. Mas, ao contrário de 2009 - em que a primeira secundária pública só aparecia na 20.ª posição -, este ano, o Conservatório de Braga e a secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, intrometeram-se entre os privados nos 15 primeiros lugares - 3.º e 12.º, respectivamente. Dois distritos, aliás, que colocam duas escolas, cada um nos 20 mais, numa tabela liderada por dois colégios privados do Porto. Em sentido inverso, o Colégio Mira Rio, de Lisboa, a melhor escola do ano passado e da década desaparece do top 20, em 2010.

Se a análise tiver em conta apenas as escolas onde se realizaram mais de cem provas, o colégio Rainha Santa Isabel, de Coimbra, salta do quinto para o terceiro lugar e a Infanta Dona Maria passa a ser a melhor pública, fechando a lista dos dez primeiros. No extremo oposto da tabela, entre as dez piores escolas, nove são pública e a única privada, o Externato Portugália, em Lisboa, teve apenas oito alunos a exame.

Uma supremacia dos colégios que não surpreende a associação do sector privado. "Dez anos depois já há conclusões que são indiscutíveis. O facto de os lugares cimeiros serem ocupados por privadas, que levam muitos alunos a exames - algumas, centenas - confirma a qualidade do ensino", argumenta o presidente da Associação do Ensino Privado, Rodrigo Queiroz e Melo.

Em contraposição, para o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais não se pode comparar o que não é comprável. "É preciso não esquecer que as escolas privadas seleccionam os seus alunos, em primeiro lugar pela condição económica das famílias, que têm de ter poder de compra para pagar um escola privada", lembra Albino Almeida.

"Há projectos educativos muito diferentes e servimos toda a gente", responde Rodrigo Queiroz e Melo. "Por isso, é normal que apareçam escolas privadas por toda a tabela. Mas somos consistentemente melhores".

Médias mais altas nas privadas, que, para o professor universitário José Canavarro, resultam de "uma procura mais qualificada e formas de trabalho empresariais ou semi-empresariais, mais direccionadas para os resultados finais".

A média geral dos exames deste ano ficou-se pelos 10,4 valores. As línguas estrangeiras - Espanhol e Inglês -, à semelhança de outros anos, foram as disciplinas com melhores notas: 14,8 e 14,4, respectivamente.

Piores foram os resultados nas áreas científicas, de que se ressentiram escolas como a secundária Fonseca Benevides, a pior do ranking: Física e Química A (8,4) e Geometria Descritiva (8,7) tiveram as piores médias, seguidas de Biologia (9,6). "Biologia e Física e Química ficaram abaixo do que é costume. Houve provas objectivamente mais difíceis, o que terá contribuído para um maior número de negativas", explica José Canavarro.

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