Trabalhadores da EPUL contestam extinção junto à CML

Mais de 100 trabalhadores da EPUL estão hoje à tarde reunidos junto da Câmara Municipal de Lisboa, numa ação de protesto contra a intenção do executivo liderado por António Costa de extinguir a empresa.

Trajando camisolas e coletes refletores cor de laranja com o nome da Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL), os trabalhadores entregam a cada pessoa que entra nos Paços do Concelho uma cópia do discurso do presidente da autarquia por ocasião dos 40 anos da EPUL.

Em destaque está o último parágrafo desse discurso, no qual o autarca afirma que os contributos que a EPUL dá a Lisboa "podem ainda ser mais ambiciosos [...], para bem da cidade e, sobretudo, para bem das pessoas que lhe dão vida".

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da comissão de trabalhadores, Pedro Vicente, afirmou ao início da tarde - enquanto no interior do edifício decorria já uma reunião camarária privada para discutir a extinção - que é um "grande erro dar este passo sem uma profunda reflexão e sem uma redefinição da forma como esta estrutura técnica pode desenvolver-se em prol da cidade de Lisboa".

"É uma precipitação e um enorme prejuízo para aquilo que entendemos ser o interesse público para a cidade de Lisboa", acrescentou.

Pedro Vicente lembrou ainda que o Tribunal de Contas e uma auditoria independente notaram este ano que a câmara tem uma dívida para com a EPUL de 45 milhões de euros decorrentes da construção dos estádios do Sport Lisboa e Benfica e do Sporting Clube de Portugal.

Presente nesta ação esteve também a advogada que representa os trabalhadores, que alertou para o facto de a câmara ter elaborado uma proposta, ainda não apresentada formalmente, e segundo a qual os funcionários da EPUL seriam colocados em "cedência de interesse público".

Joana Miranda explicou que os trabalhadores correm assim o risco de perder os vencimentos, os direitos e os deveres adquiridos ao longo dos anos.

Também um elemento do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa manifestou solidariedade e preocupação com o futuro destes funcionários.

A EPUL tem trabalhos a decorrer no Martim Moniz e na Rua da Boavista e conta iniciar obras em seis prédios do Chiado até final do ano.

Trabalham naquela empresa municipal 149 pessoas, metade das quais com mais de 25 anos de casa.

Os trabalhadores da EPUL entregaram hoje ao presidente da câmara (que lidera uma maioria) uma proposta de viabilização da empresa.

Sem querer divulgar as propostas concretas que elaboraram, Pedro Vicente adiantou que está assente em quatro eixos prioritários: a reabilitação urbana, a constituição de um fundo imobiliário para disponibilização de uma bolsa de imóveis para arrendamento e para reabilitação, a expansão e a internacionalização dos serviços prestados pela EPUL, já iniciada, e a valorização de ativos municipais.

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