Tantos casos de gripe numa semana como em Novembro

Entre 1 e 6 de dezembro os hospitais registaram 2154 urgências relacionados com gripe. Atividade da doença está a aumentar e falta de médicos pode agravar as esperas

Entre 1 e 6 de dezembro os hospitais atenderam nas urgências 2154 casos relacionados com gripe, quase tantos como em todo o mês de novembro (2812), segundo a monitorização dos serviços de urgência disponível do Portal do Serviço Nacional de Saúde. O último relatório do Instituto Nacional Ricardo Jorge mostra que a atividade gripal está a aumentar, à semelhança de outros países europeus, e para já o vírus dominante é o AH3 que faz parte das estirpes contempladas na vacina. Os tempos de espera nas urgências também estão a aumentar e o problema pode agravar-se este mês, com falhas nas escalas.

Nos primeiros dias de dezembro registaram-se 102 mil urgências nos hospitais e segunda-feira, 5, foi o dia de maior afluência. Como seria de esperar, foram as maiores unidades do país que tiveram maior procura: Santa Maria com uma média diária de 695 urgências, S. João com 638 e Amadora-Sintra com 635. Nesse dia, a média de tempo de espera (valor nacional) entre a triagem e a primeira observação foi de 80 minutos. Estes foram os mesmos hospitais que em novembro já se destacavam pela elevada procura, sobretudo nos últimos dias do mês. Por exemplo, o S. João registou uma média diária de 733 urgências.

Não é só a procura que aumenta, são também os casos de gripe que estão a chegar em muito maior número às urgências dos hospitais - além de outras infeções respiratórias associadas ao frio (em dezembro foram 7436 urgências e em novembro foram 38 760). O último relatório da gripe, publicado ontem pelo INSA, mostra que a taxa de incidência de gripe foi de 30 por 100.000 habitantes, entre 28 de Novembro e 4 de Dezembro, com tendência para aumentar. O vírus dominante é o A(H3) - ligado a atividades gripais muito intensas em anos anteriores, como explicou ao DN o Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe - e na última semana tiveram mesmo de ser internados nos cuidados intensivos dez doentes. Na Europa a atividade gripal já chegou a 44 países.

1,3 milhões de idosos vacinados

O ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, disse recentemente que nesta altura do ano a procura de cuidados de saúde aumenta 30%, mas que estão "a fazer tudo para que o inverno decorra com normalidade". Isto na sequência do alerta feito pela Ordem dos Médicos, ao DN, para o risco de rutura das urgências devido à dificuldade de fazer escalas por falta de médicos, situação que se poderá agravar se a gripe atingir o seu pico nesta altura. As empresas de prestação de serviço já estão a enviar anúncios a pedir médicos de várias especialidades para urgências e serviços e para vários dias, incluindo Natal e fim de ano. E para estas datas, os pagamentos a médicos tarefeiros podem mesmo chegar aos 50 euros por hora, acima do valor referência de 35 euros.

O ministro já replicou o apelo que a Direção Geral da Saúde já tinha feito: que os grupos considerados de risco façam a vacinação. O vírus que até agora se mostrou dominante, o AH3, é considerado mais agressivo e em anos passados foi responsável por um aumento da mortalidade, sobretudo nas pessoas mais idosas e com várias doenças associadas.

Ao DN, o secretário de Estado da Saúde Fernando Araújo já tinha referido que o ministério estava a avaliar a situação. "A questão do vírus ser mais agressivo está a levantar-nos algumas questões e estamos a tentar adequar o plano de inverno a esse fim, porque poderá implicar mais internamentos nomeadamente em áreas intermédias e intensivos."

Até ao momento, mais de 1,3 milhões de portugueses com 65 ou mais anos já se vacinaram. Estes, juntamente com os doentes crónicos e profissionais de saúde, fazem parte das pessoas com direito a vacina gratuita. O Vacinómetro, que monitoriza a vacinação contra esta doença em grupos prioritários, indica que já foram vacinados este inverno contra a gripe sazonal 64,8% dos portugueses com 65 ou mais anos, 59,8% dos indivíduos portadores de doenças crónicas e 53,3% dos profissionais de saúde com contacto direto com os doentes.

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