Ruas e casas da Mouraria escondem verdadeira Chinatown

Se quiser ir a um médico chinês ou comer comida realmente chinesa não precisa de ir à China, basta ir à Mouraria onde as ruas e casas tipicamente lisboetas escondem uma verdadeira "Chinatown".

Inicialmente "ocupada" por imigrantes oriundos do Bangladesh e da Índia, a Mouraria foi, há uns anos, o bairro escolhido por muitos chineses para morarem e trabalharem. Hoje, as várias etnias convivem pacificamente lado a lado com os portugueses.

Nas traseiras do Centro Comercial Mouraria, o edifício número 60 tem a porta quase sempre aberta. Lá dentro estão várias folhas escritas em mandarim e, numa delas, sobressaem apenas três números de telefone portugueses. O que está lá escrito? Que trabalha ali um médico de medicina tradicional chinesa e os serviços que presta.

Inicialmente, o médico abriu o consultório a pensar exclusivamente nos chineses que ali residem e trabalham, mas agora atende também portugueses.

"O único problema é a comunicação. Os portugueses têm de arranjar maneira de entender e de se fazerem entender", disse Nuno Franco, da associação "Renovar a Mouraria", que promove visitas guiadas pelo bairro.

Profundo conhecedor da comunidade chinesa, Nuno Franco explicou que os chineses "mantém cá os hábitos que tinham lá, incluindo o da medicina tradicional".

Numas portas mais à frente está a redacção de um dos dois jornais chineses que são publicados em Portugal.

Com uma tiragem de seis mil exemplares por semana, o "Sino" é escrito em Lisboa, impresso em Espanha e depois regressa à capital portuguesa para ser vendido.

"Muitas das notícias são de Portugal e até já trouxe notícias do bairro da Mouraria", contou o guia.

Muitos populares, devido à "vaidade" das mulheres chinesas, são os cabeleireiros: só à entrada do bairro, Nuno Franco contou dez e lá para dentro existem mais.

Na Mouraria existem também restaurantes chineses que começaram por servir única e exclusivamente a comunidade, mas que hoje já começaram a abrir portas ao público em geral.

É o caso do "Chinês Clandestino", que foi "descoberto por jovens universitários e hoje está quase sempre esgotado" pela população universitária.

"Come-se muito bem. É uma comida completamente diferente da dos restaurantes chineses da cidade. É mesmo comida chinesa", frisou Nuno Franco.

As etnias que convivem no bairro dividem também as lojas do Centro Comercial Mouraria e muitos fazem dele uma segunda casa.

Nos corredores vêem-se caixotes, expositores de roupa, lojistas sentados em cadeiras a ver quem passa, deitados em espreguiçadeiras a dormir, outros a ouvir música nos telemóveis topo de gama ou a jogarem em i-pads.

Uma empresa de catering chinesa, também do bairro, fornece as refeições para muitos daqueles lojistas, que chegam a passar 12 horas por dia no trabalho.

Dentro do centro, a maioria das lojas é de roupa e acessórios, mas há também de especiarias, agências de viagens e até um escritório de contabilidade.

Do lado da comunidade, os mais novos, que já nasceram ou cresceram em Portugal, são mais abertos a relacionarem-se com portugueses e com o seu estilo de vida.

Mas, no geral, todos gostam de mostrar um certo "estilo de vida", que passa por terem um bom carro, um bom telefone e frequentar sítios que consideram "bons" como o Casino de Lisboa.

"É por isso que trabalham tantas horas por dia", disse Nuno Franco.

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