Plano da Mouraria exclui casas para sexo seguro

O coordenador do plano de desenvolvimento da Mouraria revelou hoje que o documento já não prevê espaços para a prática de sexo seguro e consumo assistido de drogas naquela zona de lisboa, ao contrário do que chegou a estar previsto.

Inicialmente, o Plano de Desenvolvimento Comunitário da Mouraria (PDCM) previa a construção de uma 'safe-house', uma casa para a prática de sexo seguro e sem lenocío, a ser gerida por uma cooperativa de prostitutas, que previa também o acompanhamento social e a prestação de apoio a estas mulheres.

Este plano global de ação para aquela zona defendia também a criação de uma sala de consumo assistido, onde os utilizadores de drogas poderiam ter acesso também a condições de higiene, descanso, informação e complemento alimentar ('drop-in').

O coordenador do Gabinete de Apoio ao Bairro de Intervenção Prioritária (GABIP) da Mouraria, João Meneses, que também gere este projeto em nome das 44 associações e entidades que o elaboraram em conjunto, disse hoje à Agência Lusa que "a dimensão polémica da 'safe-house' não vai acontecer" e que na área de apoio à toxicodependência "não haverá consumo assistido nesta fase" do plano.

"O projeto da 'safe-house' foi aprovada uma dimensão emprego, de procura de empregabilidade, de qualificação, de mudança de emprego, para o encaminhamento para outras soluções. Mas também numa dimensão saúde, de bem-estar, de autoestima. A 'safe-house' vai ser virada para a mudança", explicou João Meneses.

O 'drop-in' irá manter as valências de higiene, descanso, alimentação e apoio na saúde, apostando também "numa oportunidade de mudança de vida" e na "liberdade de escolhas", indicou.

O PDCM foi trabalhado por 44 parceiros, entre associações e entidades, durante quase um ano e meio, para apresentar uma estratégia de ação social para aquele bairro, conhecido pelos problemas associados à toxicodependência e à prostituição.

Apenas estes dois projetos, o plano prevê atuar na dinamização económica, no envelhecimento ativo, no apoio às populações vulneráveis e a divulgação do fado. Entre os projetos previstos estão ainda a criação de uma oficina comunitária, uma empresa de 'catering' multicultural, uma entidade de reabilitação urbana a baixos custos, um grupo de teatro sénior ou a criação de uma oficina de guitarra portuguesa.

José Meneses indicou que o projeto foi já aceite, com estas alterações pelo presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, e que deverá ser apresentado, debatido e votado na próxima reunião do executivo, na quinta-feira.

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