Líder da Polícia Marítima reconhece escassez de recursos

O vice-almirante Cunha Lopes admitiu ao DN que "os recursos são sempre escassos, quer sejam financeiros, quer sejam materiais, quer sejam de pessoal". Isto, numa altura em que é vasta a atividade daquela força de segurança no país, incluindo no apoio a outras polícias no combate ao narcotráfico na orla costeira.

O Comandante-Geral da Polícia Marítima, vice-almirante Álvaro José da Cunha Lopes, reconhece a existência de escassez de meios a vários níveis na atividade desta força de segurança, que inclui, nomeadamente, fiscalização dos recursos pesqueiros, segurança nas praias e colaboração com outras entidades, em particular, com a Polícia Judiciária (PJ), no combate ao tráfico de droga.

"Os recursos são sempre escassos, quer sejam financeiros, quer sejam materiais, quer sejam de pessoal. Enfim, são os recursos que o Estado nos põe à disposição. Aquilo que tentamos fazer na nossa atividade é racionalizar e otimizar esses recursos", disse hoje ao DN aquele responsável nacional da Polícia Marítima, no final da inauguração das novas instalações da Capitania do Porto de Lagos.

Nesta cerimónia, foi apresentado o Capitão do Porto de Lagos e comandante local da Polícia Marítima, Carvalho Pinto, cuja área de jurisdição se situa desde Odeceixe (Aljezur) até Alvor, no concelho de Portimão, equivalente a mais de cem quilómetros.

A escassez de recursos destacada pelo vice-almirante Cunha Lopes, também diretor-geral da Autoridade Marítima, surge numa altura em que se têm intensificado operações de combate ao narcotráfico na costa algarvia, umas da responsabilidade da PJ, com a colaboração da Polícia Marítima, e outras a cargo da Unidade de Controlo Costeiro (UCC) da Guarda Nacional Republicana.

"A nossa atividade principal não se centra na questão do combate ao narcotráfico, que é uma responsabilidade, primeira, da Polícia Judiciária. Nós colaboramos no combate a todos os ilícitos na nossa área de jurisdição. Mas temos uma imensidão de responsabilidades que passam muito, até, pelos processos contra-ordenacionais da defesa dos nossos recursos, em que a Polícia Marítima é determinante, além da segurança nas praias. A segurança balnear não se resume pura e simplesmente a não deixar que as pessoas se afoguem. É preciso também que nos espaços marítimos haja segurança de pessoas e bens. E portanto, a Polícia Marítima tem de facto um conjunto de competências que vão muito para além das questões ligadas ao narcotráfico. Mas evidentemente que nesta zona do país, em particular, é uma das nossas preocupações. E nós fazemos muitas operações, nomeadamente conjuntas com as outras forças e serviços de segurança, em particular com a Polícia Judiciária", frisou o vice-almirante Cunha Lopes.

Por outro lado, em termos de obras de restauro e manutenção de edifícios das capitanias dos portos a nível nacional, o investimento ronda "um milhão, um milhão e meio de euros por ano", referiu o comandante-geral da Polícia Marítima.

Já as instalações construídas de raiz, e onde passa a funcionar a Capitania do Porto de Lagos, obrigaram a um investimento final de cerca de meio milhão de euros.

"Numa situação de crise como estamos a viver os orçamentos são cada vez mais diminutos, nomeadamente em áreas de investimento. Felizmente, além da parte orçamental, somos uma instituição que tem receitas próprias pelos serviços que prestamos à comunidade. E essas receitas têm-se mantido relativamente estáveis. Através de uma gestão muito rigorosa e cuidadosa, temos conseguido arranjar investimento para que possamos obter meios com dignidade e habitabilidade que os serviços do Estado exigem", concluiu o vice-almirante Cunha Lopes.

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