Grupo de trabalho desiste da simplificação tarifária

O grupo de trabalho criado pelo Governo para "desenhar" a reestruturação dos transportes públicos na Área Metropolitana de Lisboa desistiu de propor uma simplificação tarifária dada a "sua extrema complexidade", tendo apenas elaborado uma proposta para a CP.

Segundo o documento final apresentado ao Governo, a que a Lusa teve acesso, o grupo de trabalho "refletiu sobre a possibilidade de introdução de alterações" no tarifário existente, mas "face à sua extrema complexidade [...] foi reconhecida a sua inviabilidade", pelo menos no prazo do seu mandato.

Na primeira versão do documento, apresentado em outubro, o grupo sugeria a eliminação dos passes próprios do Metro e da Carris e a criação de um novo Passe Cidade e do Bilhete Cidade.

No documento final, foi analisada a criação do Passe Cidade, o fim dos títulos 'L' (intermodais) e a "eliminação de títulos de venda reduzida".

Contudo, é indicado que "apenas quanto à CP foi possível "consensualizar a introdução de um novo zonamento tarifário que permita eliminar as incongruências do atual sistema": diferentes preços para as mesmas distâncias em diferentes linhas.

O novo sistema baseia-se num "zonamento fixo", em que o passageiro "paga de acordo com o número de zonas em que circula", independentemente da linha, percurso ou distância.

O documento indica várias alterações nos transportes públicos que devem permitir obter uma poupança global de mais de 20 milhões de euros anuais.

O grupo propõe o fim da ligação fluvial Trafaria-Porto Brandão-Lisboa, devido à reduzida procura, e que as ligações Lisboa-Montijo e Lisboa-Seixal apenas se realizem nos dias úteis e em períodos de ponta.

Para as ligações Lisboa-Cacilhas e Lisboa-Barreiro é proposta uma menor utilização dos novos ferries e a utilização de navios de menor consumo, a antecipação da hora de encerramento do serviço diário e a redução de frequência aos fins de semana.

Estas medidas devem permitir uma poupança anual de 7,2 milhões de euros ao Grupo Transtejo, que também detém a Soflusa.

O grupo de trabalho alerta que, para isso, é necessário assegurar alguns pressupostos, entre os quais a "urgente fusão entre a Soflusa e a Transtejo" e meios financeiros para implementar "as medidas de reestruturação decorrentes da redução do serviço, nomeadamente no que respeita a saídas de pessoal".

Para o Metropolitano, propõe-se a manutenção do horário de funcionamento (quando a primeira versão sugeria diminuí-lo), a redução da velocidade máxima de 60 para 45 quilómetros/hora fora das horas de ponta nas linhas Verde e Vermelha, comboios com três carruagens nos períodos menos movimentados e o fecho dos átrios secundários à noite, aos fins de semana e feriados, em várias estações.

Calcula-se que o Metropolitano de Lisboa tenha uma redução dos custos operacionais de 4,77 milhões de euros por ano.

Quanto à CP, propõe-se um novo horário nas linhas de Azambuja e Sintra que implica o reforço da oferta para a estação do Oriente e entre Sete Rios e o Oriente. A adoção do novo horário irá permitir uma poupança de cerca de 350 mil euros anuais.

Na Carris, é proposto o fim de 14 carreiras (10, 49, 79, 777, 790, 797, 18E, 203, 205 e 208 da rede urbana e 21, 25, 76, 745, 764 e 799 da rede suburbana) e 19 alterações do serviço que incluem encurtamento do percurso ou alterações ao nível das ruas abrangidas (12, 30, 44, 70, 701, 703, 706, 709, 718, 732 e 794 na rede urbana e 22, 28, 31, 36, 714, 726, 202 e 210 na rede suburbana).

O grupo de trabalho propõe também quatro prolongamentos do percurso (718 e 760 na rede urbana e 54 e 711 na suburbana) e vários ajustamentos da oferta relacionados com a frequência ou com os horários (74, 108, 701, 706, 709, 716, 724, 729, 735, 742, 747, 755, 756, 758, 759, 765, 793, 28E na rede urbana e 714, 746, 753 e 767 nos suburbanos).

Deste ajuste, é esperada uma redução de custos de 8,52 milhões de euros em 2012.

Na primeira versão do documento, apontava-se para a Carris a supressão total de 15 carreiras da rede diurna (49, 76, 79, 753, 797, 799, 10, 21, 22, 25, 745, 764, 777, 790 e elétrico 18), o encurtamento de 15 percursos (12, 31, 44, 70, 701, 708, 709, 711, 717, 718, 726, 732, 28, 36 e 54) e o fim do serviço noturno em cinco (701, 793, 31, 724 e 729).

Sugeria-se também a supressão das oito carreiras da Rede da Madrugada (201, 202, 203, 205, 206, 207, 208, 210).

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