Família de Célia Jesus recusou-se a abandonar a casa

A família de Célia Jesus, da Mesquita, que vive na zona afetada pelos incêndios, é uma das que se recusou a abandonar a casa após a ordem de retirada dada pelas autoridades, mas não se arrependem, pois conseguiram salvar tudo.

"Nunca tive medo. Tive fé em Deus, no meu marido e nos bombeiros", relatou à Lusa Célia Jesus, de 41 anos, que diz não ter pregado olho durante duas noites, tudo para ajudar os bombeiros a manter o fogo longe da sua casa.

O incêndio florestal, que deflagrou em Tavira e se estendeu a São Brás de Alportel, foi, na tarde de sábado, declarado como dominado, dada a probabilidade de a área afetada pelas chamas se alargar ser considerada como muito reduzida.

O inferno, que naquela zona do interior de São Brás de Alportel começou na madrugada de quinta-feira, só terminou no sábado, mas enquanto durou assustou todos os que vivem naquele monte.

Segundo Célia Jesus, o marido e os filhos, os seus sogros e cunhados recusaram-se a sair do monte após a GNR ter ordenado a evacuação da área, uma zona onde vivem também muitos estrangeiros.

"Desligámos o gás, pusemos a garrafa na mala do carro e levámos para longe da casa. Molhámos tudo à volta e o meu marido e um vizinho ainda andaram a apagar um fogo com um trator e um depósito de água", relata.

Célia Jesus elogia o trabalho dos bombeiros mas tece algumas críticas à atuação da GNR, que procedeu à retirada das pessoas das zonas em risco.

"Queriam tirar a minha sogra por cima do gradeamento, ela é que não deixou", conclui.

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