Esquadras de Sintra são rivais em campeonato de futebol

As doze esquadras da PSP de Sintra competem semanalmente entre si num campeonato de futebol no qual a rivalidade e a "virilidade" marcam os jogos, que são muito mais do que os tradicionais 'solteiros contra casados'.

Três vezes por semana, as fardas, as algemas e as pistolas ficam penduradas nos cabides dos balneários. Dentro do campo, o azul associado à polícia dá lugar às cores dos equipamentos.

Durante o ano, as equipas das doze esquadras disputam 22 jornadas (como uma liga), uma taça e a supertaça, que junta numa final as equipas vencedoras das duas primeiras competições.

As três competições decorrem no campo do Atlético Clube do Cacém e são organizadas por várias comissões como a de disciplina e a de arbitragem, importantes para manter "a ordem" de um jogo que às vezes é marcado pela dureza dos seus intervenientes.

O campeonato é agora liderado pela esquadra de Massamá, que na quarta-feira 'goleou' a esquadra do Comando Operacional da Divisão de Sintra, num jogo em que os mais jovens mostraram aos mais velhos que a idade não é um posto.

O agente Bruno Costa, da Esquadra de Massamá, conta à agência Lusa que estes jogos são muito mais do que os chamados embates de 'solteiros contra casados', mas a rivalidade entre as esquadras fica dentro do campo.

"A Esquadra de Comando é uma equipa que defende bem, sabe-se organizar, mas nós somos uma equipa mais jovem, conseguimos aguentar mais o ritmo de jogo e daí a diferença no resultado. Há sempre esquadras mais rivais umas das outras, mais as que estão mais perto uma das outras", disse.

Os árbitros são sempre uma presença importante dos jogos e, à semelhança do que acontece com as ligas profissionais, também aqui são, por vezes, fortemente contestadas algumas das suas decisões.

Para assegurar a transparência dos jogos, a organização nomeou vários observadores que, entre outras funções, acompanham o desempenho dos árbitros, também eles polícias. O comandante da Esquadra de Algueirão-Mem Martins, p subcomissário Domingues, é um desses observadores.

"O trabalho do árbitro é sempre complicado, pois eles não são profissionais e fazem o que podem. Têm feito um bom trabalho. Há sempre decisões complicadas. Há alguma rivalidade entre algumas esquadras e torna-se mais difícil apitar jogos deste tipo", disse.

Segundo o subcomissário Figueiredo, um dos organizadores das provas, a estrutura "quase profissional" do campeonato da Divisão de Sintra "não é muito comum entre as forças de segurança" - são habituais os torneios, mas sem este nível de organização. Este é, aliás, o primeiro ano em que as provas de Sintra ganham esta estrutura, contando com 180 polícias.

O responsável, que é o 'craque' e capitão da esquadra de Comando, conta como tudo é levado a sério pelos jogadores: "Na verdade, apesar de não estar em causa nenhuma taça real, há de facto uma competitividade e uma rivalidade entre as esquadras e entre os jogadores que, tudo somado, leva a que tenhamos jogos com alguma virilidade".

O campeonato da PSP não conta com patrocinadores e a maior parte dos agentes joga durante as folgas e tenta fazer trocas com os colegas.

"Mas estes torneios são considerados em serviço e são autorizados, de maneira que a presença [dos que não estão de folga] está assegurada por ser considerado em serviço", disse o subcomissário Figueiredo.

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