Costa recusa pronunciar-se sobre casa para prostitutas

O presidente da Câmara de Lisboa afirmou hoje que o plano de desenvolvimento da Mouraria "há de ser um conjunto de ações integradas", recusando "antecipar análises" de medidas isoladas, numa referência à proposta de construção de uma casa para prostitutas.

António Costa destacou que o município tem trabalhado com os três presidentes das freguesias da Mouraria e com as mais de quarenta instituições que fazem trabalho no terreno, entre elas as Irmãs Oblatas, que "prestam na cidade de Lisboa um trabalho precioso junto de um setor da sociedade muito difícil, muito marginalizado, para o qual a sociedade olha com enorme hipocrisia, que é a prostituição".

"Eu respeito muito o trabalho que as instituições fazem no terreno. E este plano de desenvolvimento comunitário da Mouraria que está a ser desenvolvido parte da recolha de um conjunto de propostas de todas estas instituições. Umas agradam-me mais, outras agradam-me menos, mas seria uma irresponsabilidade ignorar a mais valia que estas instituições têm no terreno", acrescentou.

António Costa recusou a seguir pronunciar-se "isoladamente sobre esta proposta ou sobre aquela": "O plano há de ser um conjunto de ações integradas que visam complementar a ação física sobre o espaço público, a ação de reabilitação do edificado, com o desenvolvimento social da Mouraria", afirmou, realçando ainda que há várias propostas de medidas na área do empreendedorismo, da toxicodependência, da criação de emprego, da formação e "também relativamente à população que se prostitui".

O presidente da Câmara de Lisboa sublinhou que não se deve "fingir que essa realidade não existe".

"Existe na cidade de Lisboa e não é possível intervir naquele bairro sem olhar para essa realidade. E devemo-lo fazer de espírito aberto procurando ver qual é a melhor a metodologia, conhecer experiências de outras cidades, qual é o consenso científico relativamente a este tipo de abordagem e analisar", defendeu.

"Portanto, fá-lo-emos relativamente ao conjunto de propostas que as quarenta e tal instituições apresentaram, que as juntas apresentaram, e depois teremos um plano final. Não vou antecipar análises sobre esta ou aquela medida isoladamente por muito sexy que possa ser o título de alguma das propostas", acrescentou.

A proposta de construção de uma "safe house", onde as prostitutas de rua pudessem receber os clientes, foi entregue pela Obra Social das Irmãs Oblatas e pelo Grupo Português de Ativistas sobre tratamento do VIH/sida (GAT) à Câmara Municipal de Lisboa.

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