Bebé retirado do colo da mãe e afogado por 5 encapuzados

Polícia Judiciária investiga se crime foi retaliação ou um assalto violento

Tiago, de dois anos, foi arrancado do colo do mãe por um grupo de cinco jovens e atirado para uma ribeira. Tudo aconteceu na segunda-feira à noite, na ponte sobre a ribeira da Laje, em Rio de Mouro. Sandra, de 27 anos, ainda tentou resgatar o seu filho das águas geladas enquanto o grupo fugia. Em vão. "Ai, o meu bebé que o mataram gritava a mãe", enquanto eram feitas as infrutíferas manobras de reanimação.

Luís David (nome fictício), um idoso que mora nas imediações da ribeira, presenciou o crime. "Estava a passear os cães e quando olhei vi dois matulões a tirarem o bebé do colo da mãe. Depois chegaram outros três que os ajudaram e atiraram a criança para a ribeira. Ali para perto daquela rocha", diz a testemunha em cima da ponte onde tudo aconteceu.

Segundo a testemunha, o móbil do crime terá sido uma vingança contra o pai de Tiago, de origem cabo-verdiana. "Isto é para o avisares", terão dito os assassinos a Sandra enquanto lhe afogavam o filho na água perto do açude da ribeira da Laje.

O aviso, segundo o DN apurou, seria para o pai de Tiago, que se encontra separado de Sandra há dois anos. Neste panorama, e ainda segundo outra testemunha que também pediu o anonimato, o pai de Tiago teria problemas com um gangue de um bairro degradado da zona de Lisboa.

Segundo fonte da PSP, o crime também terá tido um outro móbil: o roubo. Sandra, que trabalha num restaurante do McDonald's, levava 130 euros no bolso, que desapareceram.

Os bombeiros de Agualva-Cacém receberam o pedido de socorro pelas 22.45. "Chegámos ao local cinco minutos depois e a criança já estava no colo da mãe. Foram iniciadas manobras de reanimação cardiorrespiratórias já que a criança estava sem pulso e não ventilava", disse ao DN Joaquim Leonardo, comandante dos bombeiros de Agualva-Cacém. Apesar dos esforços, o menor não resistiu e morreu.

Sandra, segundo uma vizinha, tinha deixado Tiago durante o dia em casa da avó, Filomena. A mãe da criança mora do outro lado da ponte perto da estação de Rio de Mouro e era para lá que se dirigia quando foi abordada pelo cinco jovens que, segundo fonte da PSP, terão agido encapuzados.

Luís David assistiu à fuga dos cinco homens. "Ele passaram aqui pela minha casa a correr. Pareceu-me que iam para a Estação de Rio de Mouro". Enquanto os agressores fugiam, Sandra saltou para a ribeira e resgatou o filho. Subiu com Tiago inanimado nos braços um pequeno carreiro com cerca de cinco metros e ficou com a criança no colo. Telefonou para o telemóvel do irmão que mora a cerca de 300 metros.

Este e a mãe, Filomena, correram para o local. Uma vizinha que chegou primeiro que os bombeiros à ponte tentou tomar o pulso à criança. "Disse logo que a criança estava sem pulso", conta a testemunha. Quando os bombeiros e o INEM chegaram colocaram a criança numa ambulância.

"Ai, o meu bebé que o mataram gritava a mãe." Luís David recorda os gritos e interroga-se: "Como é possível conseguirem matar uma criança desta maneira?"

Os investigadores da Brigada de Homicídios tentavam ontem reunir provas para identificar os suspeitos de homicídio. A mãe da criança foi ouvida. O corpo do menor seguiu para o Instituto de Medicina Legal onde ontem foi feita a autópsia. Também ontem estiveram no local elementos do Laboratório de Polícia Científica a recolher vestígios do crime.

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