Sócrates recebe apoio de agentes da cultura

Foi o primeiro acto de campanha do dia e um dos mais bem sucedidos até aqui.

José Sócrates tomou pequeno-almoço com cerca de 100 personalidades da área cultural, desde Manuel Salgado (arquitecto), passando por Michel (cozinheiro), Rui Vieira Nery (agente cultural), Tito Paris, Lenita Gentil (músicos), Jorge Sapinho (cineasta), José Jorge Letria e até um toureiro, Vítor Mendes.

Com a sala do Hotel Mundial cheia, foi Mega Ferreira e Inês Pedrosa quem fizeram de porta-voz dos apoiantes socialistas. "Não é uma acção de campanha, mas um encontro de amigos disse". Amigos, leia-se, do PS, porque "o PS é a minha família política".

No seu discurso, Mega (presidente do conselho de administração do CCB) falou das duas visões de sociedade que vão a votos, "uma solidária, outra egoísta", tal como as vê. Falou de um "assalto final", a "pretexto da troika", para mudar o país vindo de um líder partidário "de nome que não me ocorre neste momento", para dizer que não serve o seu projecto e para apelar a que o programa de apoio externo se aplique "com o mínimo de danos". Fechando assim: "O voto no PS parece-me o voto óbvio e o voto útil".

A escritora Inês Pedrosa, também independente, usou desse estatuto para dizer que "nem sempre este governo deu prioridade ao desenvolvimento cultural", mas aceitando que a crise, essa, tinha outras prioridades - como a da educação, onde diz que Sócrates fez "uma revolução".

O que Inês Pedrosa não aceita é a extinção do Ministério da Cultura, tal como o propõe o PSD. "Gravíssimo", garantiu, "porque não é só uma questão simbólica e de identidade", mas também de afirmação do país fora de portas, da necessidade de ampliar os fundos e os meios" do sector. Acabar com o ministério seria "desfazer um trabalho de décadas", uma "criação do PS e do Estado democrático", própria da "inexperiência" de Passos e "de quem acha que a Cultura é um adereço". No final, apelou a que "os criadores se virem contra a extinção" do ministério e desejou "sucesso" ao PS nas eleições.

Sócrates, visivelmente satisfeito pelo acto de campanha, fechou agradecendo a presença: "Interpreto como um apoio ao PS", disse, falando na necessidade de promover a igualdade de oportunidades, que começa, claro, na promoção de uma educação para todos - na versão socialista, de uma escola pública como existe hoje "para que todos tenham acesso ao conhecimento".

Depois, avisou que o que está em causa nestas eleições é apenas a primeira batalha de muitas que se seguirão na Europa, a da tentativa de fazer "um retrocesso no modelo social europeu". Quem o tenta, assegura, é o PSD, que traz às eleições "uma ideia que tem mais de 25 anos que conduziu a um desastre em muitos países" - na educação e na saúde, diz. Explicou o que entende por "liberdade de escolha", tal como proposta do PSD: ou pôr o Estado a financiar os privados na saúde e educação, ou alguns deixarem de pagar impostos para esses serviços, deixando esses serviços para os que não podem pagar.

O líder socialista, ainda primeiro-ministro, ainda admitiu que se possa "discutir" o que o Governo fez nestes anos no sector cultural, mas garantiu ter "algumas coisas para apontar". Mas sobretudo atacou uma visão do Estado que "não têm consciência da importância que a cultura tem", ou "da importância que o Estado tem na promoção da cultura". Um voto no PSD, disse, "será um retrocesso na boa sociedade.

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