Portugal espera "iniciativas" da Rússia para superar crise

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, afirmou que Portugal tem pedido "explicações plausíveis das autoridades russas" sobre o envenenamento em solo britânico de um ex-espião russo

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse hoje, em Paris, que Portugal espera que "as autoridades russas tomem iniciativas que permitam superar esta crise" diplomática, desencadeada pelo envenenamento em solo britânico de um ex-espião russo.

"Nós estabilizámos uma primeira reação ao nível europeu e agora esperamos que as autoridades russas tomem iniciativas que permitam superar esta crise", afirmou Augusto Santos Silva, à margem do salão 'Global Industrie', que decorre até sexta-feira, em Paris, e que conta com a participação de cerca de 90 empresas lusas.

O chefe da diplomacia portuguesa reiterou que "a resposta de Portugal fez-se no quadro da NATO", organização que expulsou sete diplomatas russos acreditados em Bruxelas e recusou a acreditação a outros três

O ministro precisou que Portugal tem pedido "explicações plausíveis das autoridades russas" e "o comprometimento de todos, de modo a que haja condições para que sejam investigados os factos até ao último detalhe, para que os seus responsáveis sejam encontrados e punidos".

O chefe da diplomacia portuguesa reiterou que "a resposta de Portugal fez-se no quadro da NATO", organização que expulsou sete diplomatas russos acreditados em Bruxelas e recusou a acreditação a outros três.

"Foi também uma resposta unânime no quadro europeu. A União Europeia decidiu chamar para consultas o seu embaixador em Moscovo. E do ponto de vista nacional, do ponto de vista bilateral, nós alinhámos a nossa primeira reação exatamente pela reação da União Europeia, também chamando a consultas o nosso embaixador", justificou.

Santos Silva sustentou, como já tinha feito, que esta decisão dá a Portugal "a capacidade de ir acompanhando este processo que será certamente evolutivo".

O governante reiterou, ainda, que há "um apoio muito firme da parte de todos os países europeus e um apoio muito firme da parte de todos os países da NATO ao Reino Unido que foi vítima de um ataque de uma forma que não é absolutamente aceitável a nenhum título".

Geórgia expulsa diplomata russo

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Geórgia anunciou hoje a expulsão de um diplomata russo em resposta ao envenenamento de um ex-espião no Reino Unido, alegadamente pela Rússia.

Em comunicado, a diplomacia georgiana condenou o "emprego de uma arma no território britânico" e qualificou o envenenamento de Skripal com um agente neurotóxico de "grave desafio à segurança comum".

A Geórgia rompeu relações com a Rússia em 2008, depois da guerra russo-georgiana na região separatista da Ossétia do Sul, mas Moscovo mantém dez diplomatas na secção de interesses em Tbilissi.

As autoridades britânicas afirmam como "altamente provável" que a Rússia seja responsável pelo envenenamento e o conflito deu origem a uma ação internacional concertada de quase 30 países para a expulsão de um total de mais de 140 diplomatas russos.

Desde segunda-feira, mais de duas dezenas de países, incluindo mais de metade dos Estados membros da União Europeia, e a NATO anunciaram a expulsão de agentes dos serviços de informações russos colocados nas embaixadas da Rússia.

A ação concertada é uma resposta ao envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal e da filha, Yulia, com um gás neurotóxico, em 4 de março em Salisbury, no sul de Inglaterra.

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