Silêncio de Teresa Leal Coelho causa mau estar no PSD Lisboa

Nem reuniões, nem conversas. O PSD tem candidato a Lisboa há quase um mês, mas até agora não houve contactos entre a candidata à câmara da capital e a concelhia

Passado quase um mês sobre o anúncio do nome de Teresa Leal Coelho na corrida à Câmara de Lisboa, a candidata e as estruturas locais do PSD na capital continuam de costas voltadas. "Silêncio absoluto", resume um social-democrata, apontando um incómodo crescente com a situação.

Ao que o DN apurou não houve até agora qualquer contacto entre Leal Coelho e a concelhia de Lisboa do partido. Nem reuniões, nem mesmo conversas. O que é agora visto, passadas que estão mais de três semanas sobre o anúncio da candidatura, como uma provável resposta às críticas que o líder da concelhia, Mauro Xavier, foi fazendo ao processo de escolha do candidato laranja às autárquicas de 1 de outubro próximo. Um silêncio que é tanto mais estranho, sublinha outro social-democrata, quando o nome da candidata e o programa que apresentará às autárquicas deve ir ainda a plenário de militantes. E numas eleições em que as estruturas locais assumem particular importância no apoio no terreno aos candidatos.

Em total contraste com o silêncio em relação à concelhia, Teresa Leal Coelho tem vindo a acertar com José Eduardo Martins os contornos do programa eleitoral que levará às eleições autárquicas. O ex-deputado tem estado, nos últimos meses, a preparar o documento - a convite, precisamente, da concelhia de Lisboa . A primeira conversa entre José Eduardo Martins e Leal Coelho ocorreu logo na semana em que foi oficializada a candidatura à capital.

Um longo caso de divergência

Muito embora nunca tenha visado diretamente Teresa Leal Coelho, Mauro Xavier fez questão de expressar o seu descontentamento com a forma como Passos Coelho geriu o processo autárquico em Lisboa. E fê-lo logo no dia em que foi avançado publicamente o nome da vice-presidente do partido. "Acabei de ver que Passos Coelho deu a indicação do nome do candidato à Câmara de Lisboa, mas remeteu esse anúncio para a distrital da capital. Enquanto presidente do PSD/Lisboa, venho demonstrar o meu profundo desagrado com a metodologia escolhida e pelo não envolvimento da concelhia no processo", escreveu então no Facebook. A concelhia seria informada da escolha um dia depois, mas pela distrital.

Depois disso, Mauro Xavier já fez declarações públicas de apoio à candidata, garantindo que o PSD vai disputar a câmara a Fernando Medina, mas não só parece não ter quebrado o gelo, como declarações posteriores do líder concelhio poderão ter azedado ainda mais o clima. Ao Expresso, Mauro Xavier defendeu que "é altura de fazer diferente" na liderança do partido. "É o momento para dizer que o rei vai nu, algo que se vai sentindo no partido mas que ainda não se tinha decidido dizer. Eu não tenho problema nenhum em dizê-lo", afirmou ao semanário. E garantiu, quanto a uma futura disputa da presidência dos sociais-democratas: "Eu não votarei em Passos Coelho". Mais uma vez, Leal Coelho não foi visada - "é a candidata do PSD e agora devemos olhar em frente". Mas, conhecida a proximidade entre a deputada e Passos Coelho, também estas declarações não terão contribuído para aproximações.

Contactado pelo DN, Mauro Xavier não quis pronunciar-se sobre este afastamento entre as estruturas da capital e a candidata à câmara. Também Teresa Leal Coelho não quis fazer qualquer comentário.

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