Secretas sob ataque da esquerda. PCP e BE exigem mudanças

Comunistas pediram a demissão da direção dos serviços de informações, BE diz que toda a estrutura deve ser "repensada"

A audição, esta quarta-feira, do secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP) teve um desfecho inédito. Pela primeira vez um partido político, no caso o PCP, deixou implícito um pedido de demissão da cúpula das secretas. "Depois de tudo o que se passou, entendemos a direção dos serviços de informações não tem condições para o exercício das funções num quadro normal de funcionamento de um regime democrático", assinalou ao DN Jorge Machado. O deputado do PCP Jorge Machado não circunscreve o pedido de demissão a Júlio Pereira, mas a "toda a direção", ou seja, aos diretor do SIS (Serviço de Informações de Segurança) e do SIED (Serviços de Informações Estratégicas de Defesa), dirigidos por Neiva da Cruz e Casimiro Morgado, respetivamente.

"Há demasiadas questões que não ficaram esclarecidas na audição e o PCP pensa que, tendo em conta tantas dúvidas a descredibilizar estes serviços, será necessário uma profunda alteração do modelo e da sua organização", acrescentou o deputado. Para os comunistas as perguntas feitas a Júlio Pereira sobre os escândalos que têm atingido os espiões nos últimos tempos tiveram "respostas insuficientes" e as dúvidas sobre a legalidade no funcionamento dos serviços mantiveram-se.

A recente detenção do espião sob suspeita de vender segredos à Rússia, a existência de um manual de procedimentos internos com instruções aos espiões de duvidosa legalidade e os acessos ilegítimos a dados de comunicações, confirmados por antigos dirigentes durante o julgamento do ex-diretor do SIED, Jorge Silva Carvalho, foram alguns dos temas em debate na audição à porta fechada.
Também o BE está "apreensivo" com o que se tem passado nos serviços de informações, mas não acompanha o PCP na reivindicação de novos dirigentes. "Bom seria se todos os problemas fossem apenas devido a uma questão de competência da direção dos serviços", diz José Manuel Pureza. "O problema está em toda a estrutura e em toda uma cultura institucional que devem ser repensadas de alto a baixo ", sustenta. Pureza assinala que as respostas de Júlio Pereira "confirmaram as apreensões do BE de que há práticas nos serviços de informações que não satisfazem o quadro constitucional".

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