Secretário-geral das 'secretas' pede inquérito-crime

O secretário-geral do Sistema de Informações da República (SIRP), Júlio Pereira, pediu à Procuradoria-Geral da República a instauração de um inquérito criminal sobre o caso das alegadas fugas de informação nas secretas, anunciou hoje, sexta-feira, o Governo.

O anúncio foi feito através de comunicado do gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Em causa está a alegada fuga de informações por parte do ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), Jorge Silva Carvalho, para a empresa privada Ongoing, onde actualmente trabalha, quando ainda dirigia o serviço, conforme tem sido noticiado pelo semanário Expresso.

Na nota à imprensa, o gabinete de Passos Coelho lembra que Silva Carvalho admitiu, numa entrevista ao DN, que "transmitiu a entidades privadas" quando ainda estava em funções, "através do seu e-mail pessoal", informações sobre diversas matérias.

"Havendo diligências cuja realização só pode ser concretizada no âmbito de uma investigação criminal, o secretário-geral do SIRP colocou já à consideração do Procurador-Geral da República a instauração de um inquérito criminal para que possa ser apurada a eventual prática de factos passíveis de procedimento criminal", lê-se no texto.

No comunicado, recorda-se que Pedro Passos Coelho recebeu quinta-feira o relatório que tinha pedido ao secretário-geral do SIRP ao caso das fugas em que se conclui pela "existência de irregularidades na preservação do sigilo de matérias classificadas".

Ainda segundo o relatório, as matérias em causa "não serão susceptíveis de colocar em causa a segurança interna e a defesa dos interesses nacionais".

No entanto, "não se afasta por completo a possibilidade de ter existido violação do Segredo de Estado ou o dever de sigilo, que, a ter existido", configura, nos termos da lei, a prática de crime".

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