Secretário de Estado diz que "não percebe o receio" em torno da reavaliação da coleção Berardo

O secretário de Estado da Cultura afirmou que "não percebe o receio" suscitado pela reavaliação pedida à colecção Berardo e salientou que "os contribuintes têm o direito de saber o estado real do investimento do Estado".

A Secretaria de Estado da Cultura solicitou à leiloeira internacional Sotheby"s uma nova avaliação do acervo da Colecção da Fundação Berardo, avaliado pela Christie"s em 316 milhões de euros em 2006, antes da criação do museu, mas o investidor Joe Berardo está contra e diz que é o único habilitado a avaliar o seu património.

Para o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, entrevistado na noite de sábado pela SIC Notícias, "é natural que a colecção seja reavaliada" para saber qual o valor actual de mercado desta colecção, em que o Estado terá direito de opção em 2016.

"Não percebo o receio da avaliação. De repente, toda a gente tem medo. Porque é que não pode ser reavaliada?", perguntou.

Viegas adiantou que "surgiram dúvidas" suscitadas por relatórios de entidades oficiais e que, por isso, decidiu averiguar.

Considerou também "estranho" que um protocolo que impede o Estado de avaliar a colecção e recordou que "em 2009, se dizia que 75 por cento dessa colecção foi dada como garantia colateral de empréstimos bancários".

"A colecção está cativa ou não? Essa questão pode colocar-se. Se, em 2016, vamos ser confrontados com a questão de ficar, ou não, com a colecção temos de nos acautelar", frisou o governante.

Questionado sobre se está em causa a participação do Estado na Fundação Berardo, respondeu que o que está em causa é a participação "nas fundações".

"Não há dinheiro", destacou Francisco José Viegas, acrescentando que as fundações também estão a ser avaliadas.

"Temos de repensar [a nossa participação] em função das nossas disponibilidades financeiras, de acordo com o trabalho que tem sido feito", declarou o responsável da pasta da Cultura.

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