Área beneficiada pelo Alqueva viveria "situação catastrófica" sem barragem

Atualmente, a albufeira, localizada no "coração" do Alentejo, no rio Guadiana, está com 66% da capacidade máxima

A área beneficiada pela água do Alqueva, no Alentejo, estaria atualmente a viver "uma situação catastrófica" sem a barragem e devido à seca, "com milhares de hectares de culturas completamente perdidos", alertou hoje o presidente da empresa gestora.

Atualmente, "sem Alqueva", a área "enfrentaria uma situação catastrófica, com milhares de hectares de culturas completamente perdidos", disse à agência Lusa o presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), José Pedro Salema.

"Nos últimos três anos, as afluências à albufeira do Alqueva têm sido muito pouco significativas, fruto da baixa precipitação que se tem feito sentir, sempre abaixo da média", mas, "ainda assim", o empreendimento "conseguiu garantir água, sem restrições, para todos os seus usos, em particular o abastecimento público e a agricultura", frisou.

Segundo o responsável, a albufeira do Alqueva "é a única origem de água" na Península Ibérica destinada a abastecimento público, regadio e produção de energia "com capacidade para enfrentar grandes períodos de seca".

Atualmente, a albufeira, localizada no "coração" do Alentejo, no rio Guadiana, armazena cerca de 2.750 milhões de metros cúbicos de água e está à cota 145,20 metros e com 66% da capacidade máxima, precisou.

Ou seja, a albufeira está a 56% da capacidade útil e tem um volume de água utilizável de cerca de 1.750 milhões de metros cúbicos, o suficiente para "satisfazer todas as necessidades" do empreendimento do Alqueva "durante mais três anos, se as afluências forem idênticas às registadas nos últimos três anos".

Como termo de comparação, indicou, na última campanha de rega, que terminou em dezembro de 2017, utilizaram-se "cerca de 400 milhões de metros cúbicos" de água do Alqueva, incluindo o reforço a perímetros de rega confinantes, como os do Roxo, de Odivelas, da Vigia e de Campilhas, e abastecimento público.

Hoje assinalam-se 25 anos do anúncio da decisão do XII Governo português, liderado pelo PSD, de avançar com a construção da barragem do Alqueva, que foi feito a 26 de fevereiro de 1993 pelo então primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva.

A barragem começou a ser construída em setembro de 1995 e a 08 de fevereiro de 2002 fecharam-se as comportas e começou o enchimento da albufeira, que já atingiu várias vezes o pleno armazenamento de 4.150 milhões de metros cúbicos de água, à cota de 152 metros.

Segundo o responsável da empresa gestora, no empreendimento do Alqueva, que é "estruturante" e representa "um forte contributo para o desenvolvimento" do Alentejo, já foram investidos cerca de 2.400 milhões de euros.

O investimento foi feito em infraestruturas das valências agrícola, energética e de abastecimento público de água previstas no projeto inicial do empreendimento e que ficou concluído em finais de 2016, "nove anos mais cedo" do que o previsto (2025), disse.

O projeto do Alqueva obrigou à construção de uma nova povoação para alojar os cerca de 400 habitantes da "velha" aldeia da Luz, no concelho de Mourão, no distrito de Évora, que ficou submersa pelas águas da albufeira, num investimento total de cerca de 39 milhões de euros.

Alqueva, na sua capacidade total de armazenamento, é o maior lago artificial da Europa, com uma área de 250 quilómetros quadrados e cerca de 1.160 quilómetros de margens.

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