"Se o António Costa me convidasse para diretor da campanha não tinha estes problemas"

Almoço com Valentim Loureiro.

Aos 76 anos o velho guerreiro retirou-se de tudo - aliás, de quase tudo, porque continua a ser presidente da assembleia geral da Metro do Porto. "Ainda não houve assembleia eletiva e eu demitir-me não me demito", diz Valentim dos Santos Loureiro, que chegou a ser presidente da Liga de Futebol, da Câmara de Gondomar, da Administração da Metro do Porto, da Junta Metropolitana e do Boavista. Militante do PSD entre muitas outras coisas ao longo de uma vida pública de mais de 40 anos, continua a ter negócios, embora agora mais dos filhos - seis, e 11 netos; juntam-se todos à sexta-feira para jantar.

Continua atentíssimo a tudo o que se passa, claro, mas antes de chegar à sopa, que come sempre - e em que o acompanho com gosto -, diz logo que não gosta de e-mails nem novas tecnologias. Mantém o mesmo número de telemóvel há mais de dez anos, o mesmo que foi escutado no Apito Dourado. Diz que nunca teve nada a esconder, nunca teve chave do gabinete nem gavetas de secretárias fechadas. Nem manda dizer pelos outros. O restaurante em frente ao mar que escolhe para a refeição é da família, dos filhos diz ele, e quando a empregada lhe coloca o prato à frente antes de o fazer a mim, chama a atenção. Com carinho. Valentim Loureiro sempre juntou a dureza e a simpatia.

A política atrai-o sempre. "O António Costa se me levasse mas era para diretor da campanha não tinha estes problemas - eu fui sempre o diretor da minha campanha, nunca brinquei com isso..." E relembra slogans que inventou: "Eu faço e faço mesmo", "Sou do PSD mas o meu partido é Gondomar". E lá diz, com algum cuidado, que até podia votar em Costa, a quem reconhece qualidades, como noutros tempos votou em Soares para a Presidência. "O problema é que não é o Costa, é o PS e eu sou social-democrata desde a primeira hora." De Passos Coelho lembra que "ele estava na comissão política do micróbio" - o micróbio é Marques Mendes, que decidiu retirar-lhe a confiança política como candidato à reeleição em Gondomar, em 2005, por ser arguido no Apito Dourado.

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