"Se fosse pelos bispos, não se mexia nos feriados religiosos"

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), José Policarpo, revelou hoje em Fátima que nunca houve vontade da Igreja Católica em avançar para a eliminação dos dois feriados religiosos, uma pretensão do Governo português.

"O Governo sabe que o que preferíamos era que não se mexesse nisso, mas nós regemo-nos pela Concordata e, portanto, não estamos completamente livres nessa solução", frisou o cardeal-patriarca de Lisboa.

"Não nos competia a nós, bispos de Portugal, impedir essa negociação. A nossa posição foi, por um lado, de não dificultar o trabalho à Santa Sé na negociação e, por outro, de manifestação muito clara que se fosse possível o melhor era manter tudo na mesma".

Contudo, explica, "desde o princípio percebemos que essa não era a vontade do Governo".

O presidente da CEP admite que a diminuição preocupa a Igreja Católica Portuguesa.

"As festas não são assim tantas para podermos negociar e as festas em questão têm um grande impacto popular", salienta, receando que a eliminação corresponda "à perda das referências religiosas e católicas na vida social portuguesa".

No ano passado, o Governo decidiu reduzir os feriados nacionais e impôs como regra o fim de dois religiosos e dois civis

O Executivo PSD/CDS-PP, liderado por Pedro Passos Coelho, acabou com os feriados civis do 05 de Outubro (Implantação da República) e do 01 de Dezembro (Restauração da Independência) e aguarda aprovação do Vaticano para serem eliminados dois feriados religiosos.

Os bispos portugueses apresentaram como propostas a eliminação dos feriados do Corpo de Deus e o do Dia de Todos os Santos.

No encerramento da Assembleia Plenária da CEP, que reuniu os bispos desde segunda-feira em Fátima, José Policarpo sublinhou a vontade da Igreja Católica em não se imiscuir nas questões de âmbito político, quando abordado sobre as mudanças nas leis laborais.

"Se vocês estão à espera que os bispos de Portugal intervenham diretamente em questões de natureza política, não contem comigo", acentuou o cardeal-patriarca, explicando que a missão da Igreja é outra, marcando presença nas comunidades, respondendo aos problemas sociais do dia-a-dia.

"Ninguém pode negar que a resposta da Igreja está a ter um volume e uma eficácia que não sei se se pode comparar a qualquer outra entidade portuguesa", precisou.

Durante a Assembleia Plenária da CEP foram ainda aprovadas duas notas pastorais.

Uma intitulada "Celebrar e viver o Concílio Vaticano II" e outra "Unidade da Europa, um projeto de civilização".

Sobre a Europa, os bispos recordaram "os valores fundadores e constitutivos da sociedade europeia, para superar tentações dos nacionalismos e do utilitarismo".

Na Assembleia Plenária foi ainda aprovada a proposta de criação de um "Observatório Social da Igreja", que consiste num sistema de informação a desenvolver gradualmente, que permita um diagnóstico o mais atualizado possível sobre a oferta e a procura de serviços sociais por parte das organizações ligadas à Igreja.

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